2º Encontro Mentalidades Matemáticas reúne 150 pessoas de 17 estados para debater a educação matemática no Brasil

20 de setembro de 2024

Atualizado em: 23/09/2024

Segunda edição do Encontro debateu a educação matemática entre os dias 13 e 15 de setembro de 2024, em São Paulo e em Cotia. Foto: Filipe Redondo

Pertencimento. Ponto de encontro e partilha de experiências. Acolhimento. Entusiasmo. Certeza de estar no caminho certo. Feliz por aprender e pensar. Inspiração. Encantamento. Vontade de mudar. Gratidão pela oportunidade de apresentar meu trabalho. Motivação. Satisfação. Esperança. Amor pela matemática. Essas e outras frases estavam em post-its colados por participantes do 2º Encontro Mentalidades Matemáticas em um mural que pedia: “Conte aqui o seu melhor sentimento de hoje”.

O Encontro Mentalidades Matemáticas aconteceu entre os dias 13 e 15 de setembro em São Paulo e em Cotia. O evento, em sua segunda edição, tem como objetivos fortalecer a comunidade que pesquisa a abordagem Mentalidades Matemáticas, promover a produção de conhecimento baseada na prática e disseminar a cultura de troca e de investigação na comunidade de praticantes de MM.

Ao longo dos três dias, passaram pelo evento quase 150 participantes, de 17 estados do Brasil. Um total de 50 trabalhos acadêmicos e 12 oficinas foram submetidos à avaliação do comitê científico do Encontro, que teve lançamento de livro, momentos de discussão teórica e experimentação prática, construções coletivas e experiências compartilhadas. Quem participou do Encontro avaliou a experiência com palavras como “enriquecedor”, “valioso” e  “essencial”. Confira as opiniões no fim do post.

Escuta: painéis propuseram debates e reflexões

Na noite de sexta-feira, a Livraria Martins Fontes, na capital paulista, foi a sede do lançamento do livro “Mentalidades Matemáticas na Educação Infantil”, das pesquisadoras Jo Boaler, Cathy Williams e Jen Munson. Idealizadora da abordagem MM, Jo enviou um vídeo saudando as pessoas presentes e registrando a sua vontade de participar presencialmente daquele momento.


Jo Boaler também enviou vídeo de saudação às pessoas participantes do 2º Encontro Mentalidades Matemáticas, em Cotia. Foto: Filipe Redondo

Emilia Gil, coordenadora do projeto de Educação Infantil do Mentalidades Matemáticas no Mato Grosso do Sul, Jack Dieckmann, diretor de pesquisa do Youcubed na Universidade de Stanford e Marina França, gerente de inovação educacional do Mentalidades Matemáticas, conduziram um bate-papo sobre a obra recém-lançada. O livro tem sugestões de atividades para o público da educação infantil, com propostas para docentes e para pais e mães que queiram participar ativamente do procesos de aprendizagem matemática.

O dia seguinte foi o de programação mais intensa no 2º Encontro Mentalidades Matemáticas. Na sede do Instituto Sidarta, em Cotia, SP, Liliana Costa, professora do Colégio Pedro II, Eurivalda Santana, professora do curso de Licenciatura em Matemática (UESC), Jaqueline Araújo, professora no curso de Licenciatura em Matemática (UFG) e Solange Fernandes, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação de Ciências e Matemática (IFSP) compuseram a primeira mesa do evento, intitulada “Educação equitativa: garantindo condições adequadas para a aprendizagem”.

Liliana fez uma provocação logo no início. Para ela, um dos principais lemas da abordagem MM pode receber um complemento. “Todo mundo pode aprender matemática em altos níveis, mas temos que acrescentar ‘com as condições adequadas’, sobretudo num país em que as desigualdades são muito grandes”.

Já a professora Eurivalda propôs um pensamento para a garantia de uma educação equitativa, com base em três pilares: objetivos de aprendizagem, metodologias de ensino que dêem suporte aos objetivos e ações pedagógicas. “Sem isso, nós não podemos dialogar com aquele outro tripé famoso: o conhecimento, o professor e o estudante”, destacou. No fim do primeiro painel, o público presente contribuiu com o debate, fazendo perguntas, comentários e provocações.

Em seguida, era hora do que viria a ser um dos momentos mais comentados de toda a programação do Encontro: a mesa “O que queremos provar com a avaliação?”, com Cleyton Gontijo, professor do Departamento de Matemática (UnB), Gabriel dos Santos e Silva, vice-coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Matemática e Avaliação (GEPEMA), Madeline Maia, professora da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA) e Rafael Vaz, professor no curso de Licenciatura em Matemática e na Pós-Graduação em Ensino de Matemática (IFRJ).

“A gente primeiro pensa em conteúdo e método de ensino para depois pensar no que a gente quer com aquilo e como vamos avaliar se os objetivos foram alcançados. Muitas vezes, a avaliação só é pensada pelo professor depois que ele desenvolveu tudo o que tinha para desenvolver sobre aquele tópico, e por isso ela fica descolada de todo o processo”, refletiu Cleyton, responsável pela mediação do painel.

Madeline apresentou alguns dados e conclusões de pesquisas feitas em Sobral (CE): “O exemplo de Sobral nos mostra que a prática avaliativa recorrente e intensa em moldes somativos não promove, essencialmente, efetiva proficiência matemática entre os estudantes, nem mobiliza habilidades do conhecimento pedagógico do conteúdo de matemática”. 

Já Rafael Vaz preferiu trazer um ponto de vista um pouco mais subjetivo a respeito da avaliação. “De um modo geral, a nossa avaliação é baseada numa filosofia positivista. A gente acredita que ela é neutra, justa e benéfica. Quando comecei a pesquisar avaliação, eu achava que os professores de matemática, o meu público-alvo, eram maus. Mas depois, percebi que mesmo os professores que tinham critérios muito rigorosos e faziam provas muito difíceis acreditavam, e acreditam, que isso é benéfico. Por exemplo, os meus alunos se incomodam muito mais quando a prova não é coerente com a aula. E na matemática, isso é muito comum”.

Gabriel dos Santos e Silva apresentou alguns exemplos práticos de modalidades alternativas para avaliar os estudantes. Uma delas é a “Carta para Tia”, em que alunos e alunas são encorajados a escrever uma carta para uma pessoa de sua família explicando tudo aquilo o que aprendeu durante determinado período naquela disciplina. Este tipo de avaliação, explicou o palestrante, possibilita ao docente identificar falhas na aprendizagem e inseguranças com os conteúdos, de maneira mais assertiva.

Já no domingo, a terceira e última mesa reuniu Henrique Marins, professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Marina França, gerente de inovação educacional do Mentalidades Matemáticas e Jack Dieckmann para falar sobre mentalidade de crescimento. Na oportunidade, foram relembrados temas como o poço da aprendizagem e os princípios da abordagem Mentalidades Matemáticas.

Jack propôs que os participantes relembrassem qual foi o primeiro momento em que entenderam, de fato, do que se tratavam as Mentalidades Matemáticas. O objetivo é que tentassem identificar o elemento que fez “virar a chave” a respeito da abordagem para aplicar este mesmo argumento a favor do processo de aprendizagem.

Henrique Marins, por sua vez, apresentou algumas evidências científicas de pesquisas sobre Mentalidades Matemáticas que ele conduz na formação docente, além de falar sobre a própria experiência de sala de aula e os desdobramentos das pesquisas sobre a abordagem MM. “No IFSP, onde trabalho, desenvolvemos, por conta do contato com as Mentalidades Matemáticas, o Grupo de Pesquisa em Matemática e Educação para a Equidade”, exemplificou.

Responsável pela última fala do 2º Encontro Mentalidades Matemáticas, Marina França falou sobre a tropicalização do Curso de Férias e os resultados dessa aplicação em Cotia e em Vespasiano. “A gente tem pensado no quanto teoria e prática são extremamente relevantes para pensar o nosso fazer”.

Participação ativa: grupos de trabalho, oficinas e grupos de afinidade

Os participantes do 2º Encontro Mentalidades Matemáticas puderam submeter duas modalidades de trabalhos no tema da educação matemática: o relato de experiência, apresentação de atividades e práticas de sala de aula com reflexões sobre sua elaboração ou adaptação; e a comunicação científica, em que a pessoa proponente apresenta resultados, parciais ou finais, de pesquisas científicas. Ao todo, foram apresentados 28 trabalhos acadêmicos no evento.

Um total de 50 trabalhos acadêmicos foram submetidos à avaliação do comitê científico para apresentação durante o 2º Encontro Mentalidades Matemáticas. Foto: Wallace Cardozo

Durante um dos intervalos, o pesquisador Mateus Gianni conduziu o lançamento digital da revista científica “Nova Paideia”, publicação que reúne os trabalhos apresentados no 1º Encontro Mentalidades Matemáticas, em 2023.

As pessoas participantes do Encontro puderam escolher uma entre nove oficinas teórico-práticas para desenvolver competências necessárias à pesquisa sobre ensino e aprendizagem em matemática. As opções iam desde propostas mais gerais, como “Alinhando atividades à abordagem MM” até temas bastante específicos, como os das oficina “Explorando mentalidades matemáticas com o octostudio” e “Decompost: um jogo de fatoração e reciclagem”.

No final do terceiro dia, os “Encontrandos” puderam se dividir em grupos de afinidade, um momento para conversar com outras pessoas sobre um mesmo tópico, a partir das provocações despertadas ao longo de todo o evento. Algumas pessoas optaram por debater formação docente, enquanto outras preferiram falar sobre a aplicação das Mentalidades Matemáticas na educação infantil, por exemplo.

O que estão falando sobre o Encontro?

Confira alguns relatos de quem vivenciou o 2º Encontro Mentalidades Matemáticas:


Mentalidades Matemáticas

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