Alunos conhecem nova forma de aprender matemática

“Eu vi a matemática na prática e eu pus a matemática em prática.” Que professor não gostaria de ouvir de um aluno um relato como esse depois de uma aula de matemática, não é mesmo? Pois foi esse o depoimento da Victória Cardoso dos Santos, aluna do ensino fundamental de Cotia (SP), depois de participar do Curso de Férias do Mentalidades Matemáticas. Junto com outros estudantes e professoras que usam a abordagem de ensino, ela participou do webinar “As evidências estão nos estudantes”, que aconteceu na última quinta-feira (17) no canal do MM no YouTube.

O evento, realizado pelo Instituto Sidarta com parceria do Itaú Social e apoio do IMPA, trouxe estudantes para relatar suas próprias experiências com MM. “O professor sempre quer saber: ‘esse jeito dá certo ou não?’ E nada é tão convincente quanto ouvir diretamente dos alunos. Eles falam a verdade”, salientou Jack Dieckmann, diretor de pesquisas do Youcubed, que também participou do encontro.

O webinar faz parte da segunda temporada da série “Multiplicando Saberes”, que reúne educadores para discutir o ensino da matemática. Sob mediação da diretora do Sidarta, Claudia Siqueira, o evento ainda teve a participação dos estudantes Lucas Roldão Cardoso, Tainara Friedrich e Tauan Pereira Gomes e das professoras Dilce Cardoso e Dioneide Almeida.

Uma nova matemática

Desenvolvida na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e aplicada no Brasil pelo Instituto Sidarta, Mentalidades Matemáticas é uma abordagem de ensino baseada em pesquisas de neurociência que prevê que o ato de ensinar a famosa disciplina dos números seja mais aberto, criativo e visual.

Na contracorrente de métodos tradicionais, o programa aposta, por exemplo, na colaboração, no uso de recursos visuais para o ensino (como a arte!) e, acima de tudo, defende que todos são capazes de aprender matemática em altos níveis. E no Curso de Férias que Victória participou, a nova forma de aprendizado encantou a pequena estudante.

“Minha experiência com Mentalidades Matemáticas foi incrível, porque além de ter me ajudado com a matéria [matemática] em si, mudou a minha forma de pensar em todas as matérias”, declarou Victória se referindo a questões como o erro. Ela contou que achava que não podia errar, conceito bastante combatido pela abordagem que se apoia em pesquisas de neurociência que mostram, inclusive, que errar é importante para o cérebro. A aluna também relatou que ficou surpresa com tantas atividades em grupo. “Fomos desenvolvendo uma forma de pensar diferente.”

Sem medo

Lucas Roldão, aluno do ensino médio de Arroio do Sal (RS), também trouxe suas experiências com MM, vividas com a sua professora Dilce Cardoso, integrante da Rede MM. “[A abordagem] faz a gente aprender de uma maneira mais legal, mais divertida”, relatou.

Ele também trouxe alguns exemplos de como sua professora usava MM na sala de aula. Um deles foi: após a explicação de uma matéria, em que alguns alunos entenderam bem os conceitos apresentados e outros nem tanto, Dilce pediu para os primeiros explicarem ao segundo grupo. “Era um trabalho em equipe”, destacou Lucas. 

O aluno relatou, ainda, que não se sentia “bom” em matemática, preocupação ainda mais evidente no ensino médio, reta final da escola. “Eu tinha muito medo em relação a trabalho. Eu pensava: ‘como é que eu vou ser caixa de um lugar se eu não sei nem dar o troco? Vou trazer prejuízo!’”, brincou. “Vejo que agora ganhei mais confiança.”

Juntos vamos (mais) longe

Aluno de Dioneide Almeida, Tauan Pereira, de Tabira (PE), foi mais um que se surpreendeu (positivamente!) ao conhecer MM, o que ocorreu no início deste ano. Ele relatou que sua turma do ensino médio estava acostumada a uma posição mais passiva em sala de aula, de apenas ouvir as explicações do professor. Mas essa ideia foi mudada quando Dioneide apresentou-lhes MM.

A primeira atividade escolhida pela professora foi a produção de um cartaz transmitindo alguma ideia importante para a humanidade sem usar palavras, mas apenas imagens e símbolos matemáticos. Tauan conta que houve um estranhamento inicial por parte dele e de seus colegas com a nova proposta, mas com o tempo a impressão mudou. 

“O mais legal foi que a sala trabalhou em cooperação”, contou Tauan. Ele, por exemplo, pediu ajuda a colegas que tinham mais facilidade com símbolos matemáticos, enquanto outros recorreram a ele para contribuir com a escolha de imagens relacionadas a questões atuais. “Todo mundo ajudou todo mundo, muita gente errava mas a gente pensava ‘a gente não está sozinho nessa’.”

Exemplos que motivam

Tauan também relatou que nem sempre se sentiu à vontade com a matemática, mais uma ideia modificada depois da experiência com MM:

“É claro que tem pessoas que têm mais facilidade com as ciências humanas ou as exatas, mas isso é só uma forma de organização das ciências, mas eu não via dessa forma. Para mim, esse estereótipo [de não ser uma ‘pessoa de exatas’] servia de bengala para eu não me esforçar.”

Mais uma motivação para Tauan mudar essa ideia de que a matemática é só para alguns foi saber que figuras históricas que ele admirava eram matemáticos. Apaixonado por filosofia, ele descobriu que praticamente todos os filósofos da Grécia Antiga eram, também, matemáticos. Afinal, todos os saberes para tentar entender o mundo estão interconectados. “A matemática, como qualquer outra ciência, é uma criação humana, é uma forma humana de ver o mundo”, aprendeu Tauan.

Matemática também é emoção

Jack Dieckmann, diretor de pesquisas do Youcubed, ressaltou o papel que MM pode causar também no emocional de professores e alunos. Entre os relatos do webinar, um dos destaques foi a percepção de professores mais calmos por meio do uso de MM. “E quando os professores têm mais paciência, isso também diminui a ansiedade e o medo dos alunos”, concluiu Jack, que também observou que:

“Para mim fica muito claro que mesmo que no passado algum professor tivesse dito alguma coisa que não ficava bem, depois outro professor, usando Mentalidades Matemáticas, pôde reconstruir o ânimo do aluno, o seu gosto por matemática, o seu sentido de ser capaz.”

Ele lembrou, por exemplo, que nos Cursos de Férias que acompanhou no Brasil notou que muitos alunos não queriam nem sair da sala de aula nos intervalos, de tão engajados com as tarefas. Isso demonstra que, além do desenvolvimento cognitivo, Mentalidades Matemáticas fala com as nossas emoções. 

De professor para professor

O webinar também contou com a participação de Tainara Friedrich, estudante de pedagogia do Rio Grande do Sul. Junto com a professora Dilce ela conheceu novas formas de ensinar, usando MM. Trabalhar com a abordagem lhe rendeu outras vivências. “Eu me vi no meu ensino fundamental, coisas que eu não vivi lá, experiências criativas”, contou. “Eu me apaixonei pela matemática, e antes eu tinha medo.”

Tainara faz estágio na educação infantil e leva MM para as crianças. “Eu me reconstruí através dessa matemática.” Ela também relatou que antes a ideia que ela tinha da disciplina era com base em decorar conceitos e fórmulas, bem diferente do que ela leva para seus alunos hoje. 

Aprendizados para todos

As últimas participações do webinar foram justamente de Dilce e Dioneide, as professoras que apresentaram Mentalidades Matemáticas para os  alunos. Elas contaram como conheceram a abordagem e deram exemplos de atividades que costumam levar para a sala de aula.

E, claro, também deixaram suas lições. “A gente tem que amar o que a gente faz, sentar do lado do aluno e conversar, questionar, perguntar por quê. Não dar a resposta, e sim estimulá-lo para que ele consiga ir atrás”, colocou Dilce. 

Já para Dioneide, “o Mentalidades veio para abrir minha mente e para conhecer melhor meu aluno, porque não é que ele vai saber tudo de uma vez, nem que ele não tenha capacidade. A neurociência comprovou que não existe cérebro matemático, o que existe é o que acontece: o aluno tenta, o aluno erra, procura caminhos diferentes, recursos diferentes e daí o cérebro dele cresce”. 

Você pode assistir o webinar completo aqui

Viu como o ensino da matemática de uma maneira diferente pode ser transformador? Se quiser aplicar Mentalidades Matemáticas na sua escola também, faça como Dilce e Dioneide e participe da Rede MM. Lá, educadores do Brasil inteiro se organizam em células para trocar orientações e experiências sobre como incorporar a abordagem em suas aulas. Clique aqui para saber mais e venha conosco rumo a uma matemática mais aberta, criativa e visual!

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