Como se estima toda a informação que circula no mundo?
Atualizado em: 22/12/2023
Todo dia, uma quantidade impressionante de informações é publicada e consumida na internet. Há dois anos, pelo dado mais recente, 500 horas de conteúdo eram publicadas apenas no YouTube a cada minuto. Quase dez mil tuítes são enviados por segundo ao redor do mundo, e mais de cinco mil chamadas de Skype e quase 90 mil buscas no Google são feitas. Haja informação!
Na pandemia da Covid-19, as redes sociais se tornaram refúgio durante o isolamento social e fonte de informações. O consumo de notícias no Instagram, por exemplo, dobrou em 2020, segundo pesquisa de plataforma de gerenciamento de mídias citada em coluna da Folha de S.Paulo.
Mas, com os tipos de informação digital sendo tão variados, como calcular quanta informação circula no mundo? Para saber essa informação, o matemático Claude Shannon, um dos pais da informática moderna, criou em 1948 o bit, menor unidade de informação usada em computadores. Oito bits formam um byte (b), mil bytes um quilobyte (kb), mil quilobytes um megabyte (MB) e por aí vai.
O bit e a informação que circula no mundo
A fascinante história da criação do bit – uma unidade que Shannon pretendia que fosse tão fundamental quanto as de força, massa e tempo definidas por Isaac Newton – está contada no livro “A Informação”, de James Gleick.
Num download digital, um minuto de vídeo em definição padrão ocupa algo como 2,8 MB. Um minuto de áudio MP3 ocupa cerca de 1 MB. Texto corrido legível em um minuto, algo como 100 palavras, usa algo como meio kb – ou seja, no espaço de um minuto de vídeo é possível guardar algo como 5.600 minutos de texto corrido, ou mais de 90 horas.
Um macete bastante famoso no século 20 dizia que uma edição dominical do jornal “The New York Times” continha muito mais informação do que uma pessoa da Idade Média poderia ter acesso em toda a sua vida. Com cada vez mais meios de comunicação disponíveis a partir dos anos 80 – dezenas de canais de TV, muitas emissoras de rádio, uma profusão de revistas de todo tipo, aparelhos de fax despejando mensagens solicitadas ou não em escritórios ao redor do mundo -, passou a ser importante estimar quanta informação circulava.
Acadêmicos como Hal Varian, professor emérito de Berkeley e economista-chefe do Google, fizeram desde os anos 80 alguns estudos tentando estimar a explosão da informação que circulava no mundo primeiro com a cultura do vídeo e depois com a popularização da internet – até que isso deixou de ser humanamente factível.
A última edição do estudo “How Much Information?” é de 2003. Segundo ela, apenas em 2002 se criou 5 exabytes de novas informações impressas, filmadas ou gravadas digitalmente. Se o quilobyte tem três zeros à direita (10³) e o megabyte tem seis zeros à direita, o exabyte tem nada menos que dezoito zeros à direita. Cada habitante do planeta gerava em média 800 MB de informação por ano.
Dê um salto de 20 anos aí. Quem já gravou suas aulas remotas, transmitidas por Zoom e outras ferramentas, sabe como os 800 MB vão embora facilmente.
Com toda a oferta de informação disponível, o bem que se torna realmente escasso é a atenção. Por mais que quase 90 mil vídeos do YouTube sejam assistidos a cada segundo, o dia de cada um continua tendo o tamanho fixo de 24 horas, das quais cerca de dois terços são ocupadas apenas trabalhando e dormindo.
Além disso, como ficou muito fácil publicar qualquer coisa, também ficou muito fácil fazer com que mentiras circulem rapidamente. Isso se tornou um problema especialmente espinhoso nestes meses de pandemia.
Como você escolhe a maneira como dedica seu tempo a toda a informação que consome ou gostaria de consumir? Quanta informação você gera e consome? Já pensou nisso?