Crianças trocam lazer por matemática divertida no Curso de Férias do Instituto Sidarta

13 de dezembro

Durante dez dias, 100 alunos de Cotia (SP) aprenderão a matéria de forma aberta, criativa e visual

Em plenas férias de janeiro, 100 alunos de duas escolas públicas de Cotia (SP) trocarão as brincadeiras pela sala de aula, para se divertir aprendendo matemática com uma abordagem inovadora. O Instituto Sidarta vai realizar o Curso de Férias do Programa Mentalidades Matemáticas por dez dias, de 6 e 17 de janeiro de 2020, na Escola Municipal Prefeito Ivo Mario Isaac Pires, em Caucaia do Alto, Cotia

Meninas e meninos aprovados para o 5º ano vão conhecer a matemática de uma maneira nova, criativa e colaborativa, ensinada com base em estudos de neurociência e aprendizagem da Universidade Stanford (EUA). Alunos da própria escola e do Centro Educacional Unificado de Cotia (CEUC) assistirão às aulas por duas semanas, de 8h às 16h, em quatro turmas.

Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta, detalha a o intuito do Curso de Férias. “Nosso objetivo é tropicalizar estudos da Universidade de Stanford e adequá-los ao contexto brasileiro. O Instituto Sidarta escolheu a matemática por ser uma das áreas na qual identificamos a maior fragilidade no cenário educacional brasileiro e por ser a base do raciocínio lógico. Também tem a ver com crenças: uma pessoa que acredita que é capaz de aprender matemática, também acredita que pode aprender outros assuntos”, explica.

Diretor de pesquisa do Youcubed – plataforma de propagação das pesquisas mais recentes em neurociência e matemática – e parceiro de Jo Boaler, idealizadora do Programa Mentalidades Matemáticas, o professor de Stanford Jack Dieckmann acompanhará a primeira semana do curso de férias. As aulas contarão com a presença de 16 educadores, professores e estudantes de matemática e pedagogia que concluíram a formação de 100 horas do Programa Mentalidades Matemáticas, oferecida pelo Instituto Sidarta, ao longo de três meses, com a participação de Dieckmann.

Nos encontros, eles vivenciaram a experiência dos alunos. “A formação é uma desconstrução da forma como os professores estão acostumados a ensinar. Eles passam a adotar um papel de mediador do conteúdo, das relações, dos sentimentos das crianças”, explicou Natan Onoda, formador do programa. Durante o Curso de Férias, dois coordenadores do Instituto Sidarta e oito observadores farão reuniões diárias para analisar o andamento das atividades e fazer adaptações, se necessário

Professor da Universidade de Stanford avaliará curso

A pesquisa resultante do curso de férias será coordenada por Jack Dieckman. O objetivo deste estudo, realizado a partir da avaliação de ensino e aprendizagem de alunos e professores, é avaliar a eficácia do programa.

O trabalho já foi realizado nos Estados Unidos e acontecerá no Brasil e na Escócia em 2020. Nos EUA, mostrou que em apenas 18 dias de curso de férias, os alunos evoluíram o equivalente a 2,7 anos de ensino regular de matemática.

Para aprofundar a abordagem e adaptá-la, o Instituto Sidarta fez um pré-teste do Curso de Férias, em julho de 2019, na Escola Municipal Edith dos Santos Silva, em Cotia. Foram cinco dias de aulas em período integral, com 50 alunos dos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental. Para Luciene Baía Lopes, diretora do colégio – que tem um laboratório de Matemática há seis anos –, o curso trouxe novas demandas. “Alguns professores mudaram muito. Passaram a usar a matemática visual, contam histórias com números e cálculos e deixam as crianças tentarem. Já não é um problema se não der certo. Os alunos vieram encantados, preferem trabalhar em grupo, aprenderam que podem pensar diferente e no final chegar a uma solução.”

O Curso de Férias pretende fazer as crianças perderem o medo da disciplina e estimulá-las a pensar como um “ser matemático”. Com a ajuda de ferramentas visuais, os professores as incentivam a criar perguntas, tecer argumentos, conjecturas e representações numéricas e algébricas. As primeiras atividades são pautadas na colaboração e desmistificação da matéria.

Alunos do 4º e 5º ano de uma escola pública participaram de um pré-teste do curso de férias em julho de 2019

Uma das atividades é a dos Cubos pintados, que estimula as crianças a construírem e desenharem cubos tridimensionais a partir de cubos pequenos. Em seguida, elas estudam padrões, analisando o número de lados pintados. “Envolve o visual, é [uma atividade] concreta e manipulativa e integra o grupo. As crianças são desafiadas a explicar à sua maneira: cada uma pode ter uma visão diferente do cubo, e nenhuma está errada” aponta Natan. A intervenção do professor é maior nos primeiros dias; no decorrer do curso, o grupo vai criando consensos, e o professor se transforma em mediador de conteúdo e das relações, um dos pressupostos da abordagem.

Trabalho em grupo

“No pré-teste, percebemos que as crianças não têm o hábito de trabalhar em grupo, uma dinâmica importante para manter o engajamento. Depois, debatemos o que elas gostam e não gostam na matéria. Aí começamos a falar em valorizar a criatividade e a mostrar que a matemática pode ser aberta e flexível. Aos poucos, eles vão se soltando e incorporando a abordagem”, explica Telma Scott, coordenadora pedagógica do Instituto Sidarta.

“Quando criamos uma comunidade de aprendizagem, em que os erros e as dificuldades são valorizados, os estudantes passam a se arriscar, perdem o medo, buscam a ajuda do outro, ouvem mais”, diz Telma.

 


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