Curso de Férias de matemática transforma relação de professores e alunos com a disciplina

22 de dezembro

O Programa Mentalidades Matemáticas aplicou a versão piloto do curso em uma escola municipal em julho

Depois de um curso-piloto de cinco dias do Programa Mentalidades Matemáticas, em julho de 2019, a Escola Municipal Edith dos Santos Silva, em Cotia (SP), experimentou uma transformação. Apresentados a uma abordagem inovadora e divertida para a disciplina, alunos do 4º e 5º anos perderam o medo da matemática e de errar, e os novos conceitos foram adotados em sala de aula no dia a dia. O curso foi promovido pelo Instituto Sidarta

“Os professores estão mudando a maneira de ensinar, e as crianças incorporaram algumas práticas, como o trabalho em grupo. Participam mais e adotam diferentes estratégias para chegar a um resultado”, explica a diretora, Luciene Baía Lopes. “Hoje eles pensam a matemática, tentam mais e quando erram, em vez de desistir, pensam de outra maneira, em mais soluções.” 

O Programa Mentalidades Matemáticas é baseado na abordagem desenvolvida pela professora Jo Boaler, da Universidade Stanford. Com ferramentas visuais e apoiado por pesquisas de neurociência e aprendizagem, destaca a importância da criatividade e da colaboração entre os alunos. Dá novo lugar ao “erro”, visto como fundamental no processo de conhecimento. O professor atua como mediador, ajudando os alunos nos muitos caminhos possíveis para resolução dos problemas.

O curso de curta duração foi realizado na escola para 50 alunos do 4º e 5º anos, em período integral. Foi uma maneira de testar o modelo e fazer adaptações eventuais para o Curso de Férias do Programa Mentalidades Matemáticas, que também será realizado em Cotia, de 6 a 17 de janeiro, para 100 estudantes da cidade.

Alunos do 4º e 5º anos realizam atividades matemáticas criativas e visuais em pré-teste do Curso de Férias

Todos podem  aprender matemática

Para Telma Scott, coordenadora pedagógica do Mentalidades Matemáticas, alguns dos principais objetivos foram alcançados com o curso-piloto: as crianças perderam o medo da matemática e entenderam que qualquer pessoa pode aprender e gostar da disciplina. “No início, ficaram acanhadas. Mas logo passaram a fazer perguntas, a pedir a palavra e a se posicionar nas aulas. Vimos os alunos se envolverem nas atividades, aprendendo a trabalhar juntos, desenvolvendo o raciocínio matemático e se sentindo mais confiantes”, recorda.

A avaliação de professores e alunos foi muito positiva. “Eles entenderam que também se aprende brincando. Até hoje eles não se esqueceram de algumas práticas, incorporaram por exemplo a organização da rotina diária”, afirmou a coordenadora pedagógica da escola Ana Paula Lima. 

Relação com a matemática

A relação especial da escola com a matemática não é nova, o que ajudou no processo. Segundo Ana Paula, já vem há dez anos, quando foi criado o laboratório da disciplina. Após um período de estudos, eles optaram, inicialmente, pelo uso de jogos e de trabalhos em grupo em mesas circulares como alternativa de aprendizagem. “Ainda não conhecíamos o Mentalidades Matemáticas, mas nossa proposta já tinha pontos em comum com a abordagem”, diz Ana Paula. 

Os professores incorporaram em toda a escola práticas do programa, como o papel de mediador de conhecimento, e as funções específicas do trabalho em grupo – cada um tem uma responsabilidade, o que aumenta o engajamento e a colaboração.

“A adesão foi muito bacana, os professores passaram a intervir menos e permitem que os alunos falem mais, contou a coordenadora da escola municipal. Uma aluna de 4 anos, por exemplo, passou a contar histórias matemáticas para contar de um a dez. “Antes ela não teria esse espaço”, diz. A relação com o Laboratório de Matemática também se transformou, com as crianças percebendo-o como um lugar de aprendizado. 

O colégio tem outras parcerias com o Instituto Sidarta. A primeira foi o Lixo Zero, que reduziu a quantidade resíduos da escola, ao deixar de usar produtos descartáveis; depois, foram inauguradas uma horta comunitária e uma compostagem. 

Para o ano que vem, a escola pretende promover exposições para as crianças compartilharem seus pensamentos matemáticos. O laboratório de matemática será reformulado e serão adquiridos novos jogos.