Diários de matemática revelam aprendizados do Curso de Férias

Alunos registraram diariamente suas emoções e pensamentos sobre as atividades 

A atmosfera da sala de aula combina dedicação e sorrisos. Em cada grupo, uma troca incessante de lápis de cores e canetas. Em seus cadernos, as crianças desenham, escrevem frases, fazem perguntas aos professores. São os diários de matemática, em que cada aluno registra seu dia no Curso de Férias do Programa Mentalidades Matemáticas

“No diário posso expressar meus sentimentos, mostrar as conversas matemáticas e contar todas as atividades que fiz”, explica a estudante Johana Pereira.

Desde o primeiro dia os alunos foram incentivados a escrever no diário. Primeiro, customizaram sua capa com desenhos e colagens para se apropriarem do caderno. “O objetivo dessa prática é se colocar no papel de aprendiz. Quando escrevo sobre o que aprendo, sou um aprendiz. Além disso, o aluno toma consciência que esse processo é constante. Cada vez que escrevo e reflito sobre as atividades, percebo mais coisas que não havia percebido antes. E assim o aprendizado continua”, diz Carolina Piaia, professora do curso e coordenadora do Programa Mentalidades Matemáticas. 

Nos primeiros dias, os alunos estranharam a atividade. No ensino regular não há tempo nem espaço para as crianças compartilharem seus pensamentos e sentimentos, falar de seu dia, de suas estratégias para chegar a um resultado, lidar com uma matemática visual e avaliar as aulas. A maioria dos estudantes começou escrevendo um diário pessoal. As professoras passaram a provocar algumas reflexões com perguntas, tais como o que eles sentiam fazendo as atividades, quais as descobertas, como foi trabalhar em grupo, etc.

Alunos fala sobre trabalho em equipe em diário.

“Nos primeiros dias os alunos copiavam os mínimos detalhes da lousa, mesmo quando dizíamos que não era preciso. Com incentivo, os registros começaram a ser mais reflexivos e eles passaram a registrar suas descobertas durante o processo de exploração da atividade”, conta Carolina.

Os diários são um canal de comunicação entre alunos e professores, em que perguntas são respondidas e conquistas são celebradas. Os professores valorizam e incentivam o processo de aprendizagem. “Pedimos para que persistam, se esforcem. Nessas devolutivas, fazemos algumas perguntas sobre os registros, o significado das cores, pedimos representações visuais de cálculos e outras estratégias para alcançar os resultados”, afirmou a coordenadora do Mentalidades Matemáticas. 

A aluna Luiza Pedroso, por exemplo, escreveu no diário sobre o desafio e as dificuldades para terminar uma atividade e como se sentiu apoiada pelos colegas e professores, trabalhando em equipe. Ao fim, ela agradece a todos.

Os diários também são um termômetro do desenvolvimento do curso, onde os professores percebem como os estudantes assimilam os conceitos de Mentalidade de Crescimento, Desafio e Esforço, Conexões e Colaborações. Quando um ou mais alunos relataram dificuldades com certo exercício, foi um indício para fazer adaptações e retomar a atividade no dia seguinte, trabalhando o problema apontado. “É uma ótima interlocução. Sabemos se atingimos ou superamos os objetivos mínimos. Há surpresas muito positivas, fornece uma energia a mais para o professor, além de informações muito relevantes”, avalia Carolina.

Os diários de matemática também foram usados na formação dos professores que ensinaram no Curso de Férias. Os docentes registraram os desafios profissionais e pessoais em relação ao conteúdo matemático e seus sentimentos no processo de aprendizagem. Como os alunos, foram incentivados a ser mais visuais, desenhar, utilizar mais recursos e cores para entender a disciplina e os princípios da abordagem. 

Professores também utilizaram os diários durante formação para o Curso de Férias
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