Educadoras inspiram mulheres a não desistir da matemática

10 de março

Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, o Mentalidades Matemáticas (MM) reuniu nesta segunda-feira (8) figuras inspiradoras para falar sobre suas experiências com as ciências exatas. Estreando a primeira live do MM no Instagram, sob o comando da diretora do Instituto Sidarta, Claudia Siqueira, o bate-papo “Desconstruindo tabus: trajetórias de mulheres na matemática” contou com a participação de Marina França, coordenadora do Programa MM; Márcia Santos, formadora de professores do Instituto Sidarta; e Keila Leitão, professora de matemática e membro da célula Ceará da Rede MM.

#mulherinspiramulher

Uma unanimidade entre as participantes é a constatação de que mulheres na matemática incentivam outras. Uma professora de matemática, por exemplo, pode se tornar uma referência para uma aluna, despertando sua capacidade na disciplina e lhe oferecendo segurança e conforto para acreditar em si mesma. Elas relataram diversas experiências em sala de aula que ilustram essa comprovação. 

“Eu tinha uma aluna que não conseguia tirar mais do que 4 em matemática, e isso era muito desgastante para ela. Eu tive que fazer um trabalho socioemocional com ela por vários anos. Além do reforço, eu a motivei, contei minha própria história. Isso a encorajou a evoluir.”

A fala foi da professora Keila, líder de célula do Programa MM no Ceará. “A criança precisa se sentir confortável, segura e que com a sua parceria ela vai evoluir”, concluiu. “Sempre temos mulheres nas nossas vidas que nos dão um empurrãozinho”, observou Claudia.

Professora durante curso o Curso de Férias Mentalidades Matemáticas (foto tirada antes da pandemia).

Márcia trouxe um relato parecido, de uma aluna que deixava questões em branco nas provas. Foi a partir do diálogo que houve a evolução. “Eu ia na mesa dela e dizia que não tinha problema se ela errasse, a encorajava a fazer”, contou. “No dia da prova, antes de entregar, disse pra ela fazer com cuidado, tentei confortá-la. Ela tirou acima da média e ficou surpresa. Ela precisava dessas falas de que ela conseguiria fazer”, prosseguiu a professora e formadora do Programa MM, que concluiu:

“A gente acha que precisa fazer coisas enormes. Não! Precisamos dar as ferramentas certas.”

Sala das professoras

A socióloga Marina França, coordenadora do Programa MM, relatou que nas formações de professores da abordagem de ensino Mentalidades Matemáticas também há muita superação. Ela contou que sempre começa a ministrar a capacitação soltando uma das premissas do MM: todos são capazes de aprender matemática em altos níveis. “Eu gosto de falar isso porque eu sempre ouço de volta: ‘eu também?’.”

Depois de apresentar pesquisas da neurociência que provam a veracidade do preceito, continua Marina, o susto do primeiro momento vai embora. E a pergunta vira conclusão: “eu também!”. “Tivemos muitos relatos de pessoas fazendo as pazes com a matemática. Só conseguimos quebrar essa barreira quando a gente demonstra que acredita e essa demonstração é quando passamos conteúdos de altos níveis”, afirmou a coordenadora.

Marina França em atividade do Curso de Férias Mentalidades Matemáticas (foto tirada antes da pandemia).

Lugar de fala

As participantes ainda lembraram outras educadoras, como Jo Boaler, criadora do Mentalidades Matemáticas, que também as motivam. “O trabalho inspirador da Jo Boaler, da Rachel Lotan, da Carol Dweck me deu um sacode muito grande e mostrou que nossas palavras têm o poder de engajar e fazer as meninas se engajarem na matemática”, relatou Keila.

Márcia também lembrou da importância das referências femininas ao citar que na sua própria trajetória a sua professora de matemática a inspirou muito. Não à toa, em suas aulas, sempre que pode ela mostra como as mulheres contribuíram e contribuem com a ciência. E seus alunos se surpreendem. “As meninas sentem-se motivadas”, disse.

Essa postura pode fazer a diferença em sala de aula e evitar que a matemática perca seu importante espaço entre as mulheres. Um vídeo produzido pela equipe do MM para o Dia da Mulher, reunindo depoimentos de membros do Instituto Sidarta, revelou que o interesse pela disciplina pode se perder com o tempo. Enquanto uma criança apontou que adora matemática, uma aluna do oitavo ano disse que a disciplina não é muito a “praia” dela. Já uma colaboradora do colégio, aos 37 anos, acredita que poderia ter se doado mais à matemática. Contudo, todas reconhecem que a disciplina tem papel fundamental em suas vidas, o que reforça sua importância.

“É um direito nosso enquanto mulheres conhecer todos os conhecimentos produzidos historicamente pela humanidade. E revela que somos capazes.”

Com essa fala da Marina, o encontro foi caminhando para o fim. Mas como o assunto ainda rende bastante, Claudia adiantou que novas lives devem ser feitas futuramente com outras mulheres, para falar sobre sua relação com a matemática e inspirar outras pessoas:

“Mulher inspira mulher, e a gente precisa conversar para poder aumentar essa voz, para poder trazer mais gente para falar desse lugar da potência.”

Você pode assistir ao encontro na íntegra aqui. Aproveite e siga o MM no Instagram para não perder as próximas conversas e novidades. E se quiser compartilhar conosco a sua experiência com a matemática, deixe seu relato nos comentários. Vamos juntas! #mulherinspiramulher