Escrever sobre experiências em sala de aula melhora o ensino da matemática

14 de janeiro de 2021

Atualizado em: 22/12/2023

Regiane Picinin e Angela Ramos relataram em encontro acadêmico a importância da prática do registro, trabalhada no Curso de Férias Mentalidades Matemáticas 

Nas metodologias tradicionais de ensino, é comum que os alunos vistam os chapéus de “bom com palavras” ou “bom com números”, como se fossem coisas excludentes. Não são, como sugere um relato apresentado à Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM) por duas professoras que participaram do Curso de Férias Mentalidades Matemáticas. Segundo esse relato, professores de matemática que anotam suas conquistas e desafios ganham mais eficiência em suas experiências pedagógicas.

Regiane Picinin e Angela Ramos trabalham com alunos do 5º ano do Ensino Fundamental, em Cotia (SP) e foram instrutoras do Curso de Férias, promovido pelo Instituto Sidarta com apoio do Itaú Social, em janeiro de 2020. Elas relataram a prática dos registros de aula em artigo publicado nos Anais do XIV Encontro Paulista de Educação Matemática, da  SBEM. Em agosto, Regiane já havia apresentado alguns dos seus aprendizados no webinário “Curso de Férias Mentalidades Matemáticas: resultados e evidências”. O entusiasmo da professora também foi relatado em notícia publicada em fevereiro neste blog. 

No Curso de Férias, cada professor produziu um diário de matemática, onde refletia livremente sobre a própria prática pedagógica. Até mesmo as dificuldades e sensações diante de um tópico deveriam ser anotadas. As educadoras notaram que essa técnica ajuda a compreender a maneira de pensar e, portanto, de comunicar determinado conteúdo.

“Ao explicar o que e como pensamos em nossos registros matemáticos, transpareceu o nosso modo de raciocinar, o passo a passo, os métodos escolhidos e seu porquê, ou seja, como conectamos nossas ideias”, afirmam as professoras. 

Registro do diário de uma das educadoras

Naquele período de reflexões, elas perceberam que não havia uma única maneira de registrar suas experiências. Também viram que, quanto maior a sinceridade, mais rico era o aprendizado e a troca entre os participantes. Ainda assim, trabalhar sem regras predefinidas também não é fácil. Demanda desapego de autojulgamentos e do medo de possíveis constrangimentos ao compartilhar suas próprias ideias para um grupo maior. 

Regiane viu suas anotações se transformarem durante o curso. Elas começaram tímidas, sintéticas. Aos poucos, ganharam cores e representações visuais muito mais ousadas. Nessa dinâmica, os docentes se viam no papel de aprendizes. Quanto mais diversas ficavam as representações e associações adicionadas no diário, mais as professoras aprendiam. 

“É o registrar e aprender de outro jeito, com outros caminhos, ainda não explorados ou explorados de outra maneira, ter novas perspectivas para acessar a nossa mente e conhecimento matemático nato que temos e assim atender ao nosso público-alvo”, escreveram as professoras no relato. 

Diferentemente do que ocorre num diário pessoal, essas anotações envolviam um profundo exercício de observação e de disposição para compreender como os debates ocorriam entre os estudantes. Era assim que as professoras encontravam novas perguntas norteadoras para orientar suas atividades, amadurecendo o pensamento algébrico e a prática da matemática em situações diversas que envolvem o uso de números. 

Por fim, as autoras notaram que a prática do registro contribuiu para um olhar menos engessado para conteúdos matemáticos, num processo de aprendizado significativo e transformador.

“O registro de nossas ideias e reflexões foi uma construção e promoveu o processo de devolução da responsabilidade de aprendizagem do aluno. Não nos víamos preparadas para aplicar, mas isso foi bom, pois significou que estávamos no caminho certo, nos redescobrindo e aprendendo sempre”, escreveram.


Mentalidades Matemáticas

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