Instituto Sidarta faz versão on-line da formação de professores do Programa Mentalidades Matemáticas

Aulas a distância para profissionais de três escolas públicas de São Paulo começam no início de junho

Estava tudo preparado para iniciar em março o Curso Matemática e Equidade, mais uma formação de Professores do Programa Mentalidades Matemáticas. Material impresso, datas marcadas, professores na expectativa. Veio a pandemia, as escolas foram fechadas e milhões de estudantes agora estudam em suas casas pelo computador ou celular. Por que não colocar os professores para estudarem de casa também? O Instituto Sidarta aceitou o desafio e criou uma versão de educação a distância (EAD) da formação de professores para três escolas públicas de São Paulo. As aulas começam em junho, de acordo com o calendário de cada instituição.

“Fizemos uma reformulação da formação. Ela terá uma duração maior, entre 60 e 80 horas, divididas em seis módulos. Poderemos desenvolver as atividades e fazer os trabalhos em grupos colaborativos com quatro pessoas virtualmente. O acompanhamento dos portfólios, com as reflexões dos professores, será mais próximo”, resume Telma Scott, coordenadora pedagógica do Programa Ensino para Equidade. 

Este trabalho está sendo acompanhado por Sonia Allegretti, especialista em EAD, que indicou a plataforma Moodle para as atividades. Este Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) permite reproduzir a dinâmica de uma formação presencial. Cria salas virtuais com quatro integrantes para que os conceitos do trabalho em grupo de Rachel Lotan sejam aplicados, umas das premissas do programa. A equipe do Instituto Sidarta terá liberdade para entrar em cada sala virtual para mediar e acompanhar as atividades. A produção coletiva de cartazes por cada equipe está garantida. Após esse período, todos os participantes se reúnem em videoconferência e os “repórteres” de cada grupo compartilham suas produções. Como em uma sala de aula, é possível fazer comentários, perguntas e interagir com os participantes. 

O trabalho em grupo, a interação entre os participantes e a comunidade de aprendizagem são algumas das chaves da formação. Porém, uma atenção individualizada é proporcionada pelos portfólios, um caderno on-line em que os professores elaboram suas reflexões sobre os novos conhecimentos adquiridos. Um espaço para pensar sobre seus desafios profissionais, pessoais e seus sentimentos no processo de aprendizagem.

Como esse portfólio estará on-line, os formadores terão acesso a seu conteúdo e poderão oferecer devolutivas produtivas individuais. Além disso, os assuntos mais recorrentes serão discutidos coletivamente nos fóruns ou videoconferências. “Teremos um material muito mais rico para entender o processo”, comemora Telma. Também serão criadas rubricas de avaliação para que cada professor perceba seu desenvolvimento durante a formação. 

O módulo introdutório será uma videoaula com explicações gerais sobre o curso, funcionamento e interação com o Moodle. O primeiro módulo será uma coleta de dados, uma autobiografia do professor e a aplicação de um questionário sobre a relação que possuem com a matemática. O objetivo é conhecer a história de cada participante e sua visão sobre educação e o potencial dos alunos.  

Vídeos gravados no Curso de Férias Mentalidades Matemáticas serão usados na formação on-line

A observação em sala de aula é tema do segundo módulo. São técnicas para observar a produção dos alunos e as orientações dos professores sem julgar, apenas coletando as evidências do que ocorre em classe. Os professores desenvolverão essa habilidade assistindo aos vídeos de aulas gravadas no Colégio Sidarta e durante o Curso de Férias, realizado em janeiro com alunos de escolas municipais de Cotia (SP). “Nessa prática você não pode afirmar que o professor explicou bem ou que o aluno está desinteressado, você precisa descrever as ações de cada um deles. Não entramos na sala de outros professores para dar nossa opinião ou dizer o que teríamos feito em determinada situação. Cabe ao professor que está dando a aula tomar as decisões e depois, com os dados coletados, refletir acerca delas”, explica Telma.  

Como impactar a produção e o comportamento dos alunos? Esse é o tema principal do módulo três: gestão em sala de aula. Os professores debaterão estratégias para estabelecer acordos com os alunos, como pedir silêncio para a turma apenas levantando a mão. Esta parte do curso abordará, principalmente, o ensino centrado no estudante, em que o professor é mediador de conhecimento.

A relação entre as pesquisas de neurociência e as práticas de Mentalidades Matemáticas, os benefícios do esforço frente às dificuldades, à valorização dos erros no processo de aprendizagem e como ambos fortalecem as rotas neurais são discutidos no módulo quatro. 

O debate sobre mentalidade fixa e mentalidade de crescimento é um momento importante da formação. “A gente estuda de dois a quatro anos para ser professor, mas antes disso passa 15 anos como aluno. Isso deixa marcas e acabamos reproduzindo um modelo que não acreditamos”, considera Telma. É uma reflexão para reconhecer e livrar-se de antigas amarras, mensagens negativas que impedem o aprendizado, alimentadas pelo medo de errar e estereótipos.  

O quinto módulo tem uma carga teórica mais intensa ao estudar o trabalho em grupo colaborativo segundo a abordagem da professora Rachel Lotan. Na realidade os conceitos são aprofundados, pois durante todo do curso os participantes vivenciam a teoria, trabalham em grupos, usam os papéis para aumentar a interação e a participação, aprendem as normas que ajudam a produzir com maior autonomia e responsabilidade. A abordagem defende, entre outras questões, a relevância da interação na aprendizagem. 

A discussão sobre equidade no ensino percorre todos os módulos e finaliza a formação no sexto módulo. Como criar uma comunidade de aprendizagem e propiciar mais equidade em sala de aula? É o momento de sistematização, de entender como unir os elementos da abordagem na prática com os alunos.

A cada aula os professores elaboram produções que ficam em seus e-portifólios e que podem ser modificadas conforme a aprendizagem ocorre. No final, os participantes revisitam seus trabalhos e elaboram uma reflexão final.

A decisão de criar uma formação on-line para professores de três escolas de São Paulo surgiu diante da necessidade gerada pela pandemia do novo coronavírus. Mas, é sem dúvida, um caminho sem volta. “Quando a situação voltar ao normal poderemos manter a formação à distância junto com a presencial. Vamos entender o que funciona, o que pode ser melhorado, será um enorme aprendizado”, conclui Telma. A formação do Programa Mentalidades Matemática em EAD pode ser uma forma de atingir um número cada vez maior de professores pelo Brasil.  

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

5 Comentários

  • Está formação online não estará disponível para o público em geral? Como professor eu tenho muito interesse.

  • Estamos aguardando ansiosamente pelo início dos encontros.

  • Sera exclusivo para estas tres escolas? Queria tanto, estou desenvolvendo um projeto trabalhando o reforco positivo e a importancia do erro no processo aprendizagem! Adoraria fazer parte deste curso!

  • Boa noite, prezados

    Gostaria muito de participar das formaçõescomo ouvinte.

  • Gostaria de saber mais informações sobre essa formação

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *