5 lições da matemática revolucionária de Maryam Mirzakhani 

Primeira mulher a receber a Medalha Fields, a maior honraria da matemática, Maryam Mirzakhani provou ao mundo que não há limites de gênero para se destacar nas ciências exatas. Além de conquistar o prêmio máximo em sua área, a iraniana ainda era detentora do título de PhD em Matemática pela Universidade de Harvard e, ao longo da sua carreira, acumulou passagem como professora por Princeton e Stanford.

Suas pesquisas que ganharam o mundo não só romperam a disparidade de gênero que ainda ronda o meio acadêmico, como muitos outros tabus que envolvem o ensino da matemática até os dias de hoje. Conheça alguns deles a seguir a partir das lições que a educadora premiada deixou para o mundo.

As lições de Maryam Mirzakhani

Maryam Mirzakhani
Imagem: Divulgação

A matemática é visual e criativa

Um dos principais materiais de trabalho de Maryam eram grandes telas de papel, que ela apoiava no chão para esboçar suas ideias. Ela até costumava brincar que sua filha, Anahyta, imaginava que ela estivesse pintando. “A matemática de Maryam não era sobre números, mas sobre padrões visuais e ideias”, escreveu Jo Boaler em uma homenagem à colega. Esse hábito de Maryam não era à toa, diversas pesquisas já provaram que o nosso cérebro compreende muito bem a matemática por meio de recursos visuais.

Confie em si mesmo

Na escola, Maryam chegou a ouvir de um professor que não tinha talento para a matemática. Ainda assim, acreditando no seu fascínio pela disciplina despertado pelo irmão mais velho, ingressou na faculdade de matemática. Seu interesse e esforço a levaram a receber diversos reconhecimentos, da Olimpíada Internacional de Matemática até a premiação máxima pela Fields. Em entrevistas, ela fazia questão de reiterar que o apoio da família e de professores foram sua motivação, contudo, assim como muitas pessoas, ela também encontrou pelo caminho aqueles que não a encorajaram. Felizmente sua autoconfiança falou mais alto.

É possível explorar campos diferentes

Maryam costumava relatar seu fascínio em resolver problemas por meio de métodos diferentes. Seu trabalho envolveu campos diversos, como geometria diferencial, análise complexa e sistemas dinâmicos. “Gosto de atravessar as fronteiras imaginárias que as pessoas estabelecem entre campos diferentes”, declarou. “Existem muitas ferramentas e você não sabe qual funcionaria. É uma questão de ser otimista e tentar relacionar as coisas.” Adotar essa mentalidade durante o aprendizado da matemática expande o conhecimento levando à verdadeira compreensão da disciplina, e não a simplesmente decorar fórmulas e teorias.

Não é preciso ter pressa

A educadora dizia que seu trabalho era feito de forma lenta e profunda, quebrando o mito de que “ser bom” em matemática é sinônimo de resolver cálculos e outras questões da disciplina rapidamente. Inclusive, Maryam acreditava na paciência para compreender a matéria. “A beleza da matemática só se mostra a seguidores mais pacientes”, relatou em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian em 2014, após receber a Medalha Fields.

Não saber não é um problema

Ainda na homenagem à colega, Jo Boaler relatou que ao presidir a defesa de doutorado de uma aluna de Maryam Mirzakhani, a algumas perguntas feitas pelos professores ela respondeu que não sabia as respostas. Dizer que não sabe frente a questionamentos de uma banca avaliadora pode parecer impensável, mas na ocasião os professores consideraram perfeitamente cabível que ela não tivesse todas as respostas, e Jenya Sapir foi aprovada com louvor. “A matemática, a matemática real, é uma matéria de incerteza: ela trata de explorações, conjecturas e interpretações, não respostas definitivas”, escreveu Jo em seu livro Mentalidades Matemáticas.

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1 Comentário

  • Uma matéria riquíssima.
    Maryam com sua mentalidade quebra paradigmas mostrando que somos capazes de desvendar e explorar o desconhecido da matemática.
    Não há o detentor de todo o saber, mas que podemos sim ir em busca do conhecimento sem limites.
    Há pouco tempo conheço e faço parte do MM.
    A cada dia me apaixono mais e mais ao ler tantos relatos.
    Jo Boaler nos impulsiona às descobertas inigmaticas da matemática e nos mostra que todos temos potencial e somos capazes de aprender.
    Gratidão a todos da MM.

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