Mentalidades Matemáticas é uma das organizações parceiras de programa do MEC pela Matemática

27 de março de 2025

Atualizado em: 27/03/2025

O Ministério da Educação (MEC) lançou, neste mês de março, o Programa Toda Matemática, um compromisso nacional que tem como objetivo tornar a disciplina mais acessível e conectada com a realidade dos estudantes. A iniciativa visa reverter o cenário atual, em que 73% dos estudantes brasileiros não atingiram o patamar considerado básico de proficiência em Matemática no Pisa 2022.

Os primeiros passos para a construção do novo programa foram dados ainda no ano passado. Em outubro, o MEC lançou um edital em parceria com o Itaú Social para incentivar projetos com foco nos Anos Finais do Ensino Fundamental. A relação da Matemática com mapas mentais, cultura quilombola, robótica e horticultura foram alguns dos 18 temas inspiradores premiados.

Já em 2025, houve o lançamento do Caderno de Inovação Curricular em Matemática, focado no 5º e no 6º anos do Ensino Fundamental, com sequências didáticas que procuram desconstruir crenças limitantes sobre a Matemática, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e exploratório em que diferentes soluções são valorizadas e erros são entendidos como oportunidades de reflexão.

O programa Mentalidades Matemáticas foi uma das organizações da sociedade civil convidadas a fazer parte de grupos de trabalho que irão aprofundar temas relacionados ao cenário da educação matemática e compartilhar boas práticas. O Blog MM bateu um breve papo com Isabel Cortellini, gerente de relações institucionais do MM, para entender melhor a novidade. Confira.

Blog MM: O que chama a atenção na iniciativa Toda Matemática?

IC: Acho muito bacana a estratégia adotada. Primeiro, a gente faz a escuta, um diagnóstico em colaboração com toda a sociedade. Nesse sentido, é uma política pública muito baseada na nossa Constituição Federal, que fala que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, e tem que ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Reuniram agentes da educação matemática para uma primeira conversa antes de lançar o programa, para que consigamos divulgar essa escuta com um maior alcance. Escutar os professores de todo o Brasil é a melhor chance que a gente tem de ter um diagnóstico fidedigno para construir as ações que a gente precisa. 

B: Quais são as suas expectativas para essa novidade?

IC: O que eu prevejo é um pouco do que a gente tem com o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, mas ainda mais exponencial por conta do poder da Matemática de ser esse construtor do pensamento mesmo. A matemática ajuda a gente a estruturar o nosso pensamento. No curto prazo, acredito que o mais realista é esperar esse diagnóstico, entender essa escuta. Esperamos uma grande coleta de informação no médio prazo, junto a uma primeira análise e já com algumas primeiras ações, porque entendo que algumas coisas já são sabidas. No longo prazo, esperamos realmente a implementação de políticas públicas.

B: Qual a importância de uma iniciativa como essa ser tomada pelo Ministério da Educação?

IC: O modelo de gestão da educação no Brasil é dividido entre municípios, estados e a União. O regime de colaboração entre os três ainda é um desafio que precisa sair do papel. Quando uma iniciativa nacional como essa parte do Governo Federal para os demais entes, a chance de sucesso é muito maior do que se, por exemplo, um município tentasse encabeçar esse movimento. A chance de alcançar a equidade, algo sobre o que falamos muito, é muito maior no longo prazo se praticamos um olhar para o Brasil como um todo.

B: Quais foram os primeiros passos dessa parceria entre MEC e sociedade civil?

IC: Participamos de uma primeira reunião com outras organizações da sociedade civil que já trabalham pela educação matemática. Estavam no diálogo também algumas organizações públicas além do MEC, como universidades. Agora, a ideia é formar grupos de trabalho para aprofundar mesmo. Vamos observar o resultado da escuta nacional (saiba mais abaixo) e trabalhar em tópicos específicos. Cada OSC foi voluntariamente indicando em que aspectos podia contribuir mais. O trabalho está só começando!

O MEC está promovendo, até o dia 28 de março, a “Escuta nacional de professores que ensinam matemática”. A iniciativa tem como objetivo coletar percepções e experiências dos docentes do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Profissional e Tecnológica (EPT) que ensinam Matemática, contribuindo para um diagnóstico mais preciso sobre o ensino e a aprendizagem deste componente curricular. Participe aqui.


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