Programa Mentalidades Matemáticas forma docentes e produz material didático para escolas do Rio de Janeiro
Atualizado em: 05/05/2025
O programa Mentalidades Matemáticas, o Itaú Social, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, e o centro de pesquisas Youcubed, da Universidade de Stanford, estão atuando juntos em um grande projeto educacional desde o final de 2024. A intervenção envolve a formação de pessoas educadoras e a produção de materiais didáticos baseados nos princípios da abordagem MM e que atendam a necessidades específicas dos estudantes da rede carioca, diagnosticadas em um estudo prévio realizado pela secretaria.
O foco deste projeto está nos GETs, os Ginásios Educacionais Tecnológicos, que são um modelo de escola voltado para a inovação tecnológica, por meio de metodologias ativas, com destaque para a cultura maker. Além de ambientes que estimulam a criatividade, com impressoras 3D e máquinas de costura, por exemplo, os GETs são espaços multidisciplinares. Isso significa que docentes de Matemática e também de outras matérias estão envolvidos em todo o processo.
Gerente pedagógica do programa Mentalidades Matemáticas, Maira Costa vê com bons olhos os espaços maker, em que os estudantes precisam aprender a trabalhar criativa e colaborativamente. “São oportunidades diferentes de tudo o que já tiveram em outras escolas”. Ela também comentou a experiência com os docentes. “Para nós, é importante trabalhar com a formação de professoras e professores articuladores, criando conexões diferentes entre a Matemática e as outras áreas, com atividades abertas, criativas e visuais. É um desafio grande por ser diferente do que já fizemos. E isso nos empolga por ser algo inovador dentro do programa MM, que já é uma proposta inovadora”, avalia.

Ao todo, cinco pessoas formadoras do programa Mentalidades Matemáticas estão atuando com 150 docentes de diferentes áreas do conhecimento. Jack Dieckmann, diretor do Youcubed, em Stanford, veio ao Brasil para acompanhar in loco um dia de formação no Rio de Janeiro. Em breve entrevista ao Blog MM, o pesquisador compartilhou as suas impressões. Confira:
Blog MM: Você veio ao Brasil para conhecer de perto a estrutura e o contexto do Rio, além de acompanhar um dia de formação e conversar com as pessoas. Qual a importância desse acompanhamento mais próximo?
Jack Dieckmann: Eu vim da Califórnia ao Rio para observar e estar mais perto dos nossos parceiros aqui no Rio, para entender melhor a realidade dessa sala de aula intitulada espaço maker.
Quando visitei uma aula de maker, falei com o professor, falei com as alunas e os alunos, e todo mundo realmente estava bem animado para fazer essas atividades e por ter mais espaço para explorar ideias. Estou na formação falando com docentes e, mais do que tudo, escutando quais são as suas experiências. Temos nos docentes parceiros e parceiras para que possamos descobrir como melhorar.
Blog MM: Quais as diferenças de pensar o MM em um espaço maker? Vocês já tinham feito algo semelhante em Stanford?
Jack: A professora Jo Boaler já usa espaços maker em suas aulas em Stanford. Mas o Youcubed, enquanto organização, ainda não os incorporou explicitamente nos materiais novos. Então, para nós é uma coisa inovadora.
Estamos bem animados em trabalhar com a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro porque ela já tem fama de ser inovadora. Juntamo-nos para experimentarmos e vivenciarmos, todos juntos. Como podemos trazer os elementos específicos de MM para espaços maker? Bom, está sendo uma troca bem interessante, em que estamos aprendendo muito.
Blog MM: Qual o seu papel nesse projeto?
Jack: Ajudar a alinhar o trabalho aqui no Rio com a abordagem MM. Tenho reuniões semanais com a equipe que está escrevendo as atividades, e dou feedbacks sobre elas. Depois, passamos essas atividades para a equipe do Rio, que também faz as suas observações. Então, quando finalizamos essas atividades, muitos olhos já as viram para que fossem aprimoradas.
Blog MM: É a primeira vez que falamos com um grupo de pessoas formadoras que não necessariamente são formadas em Matemática ou em Pedagogia. É preciso adaptar a nossa linguagem para lidar com este público?
Jack: Na verdade, é bom trabalhar com pessoas que não são formadas em Matemática. Há um princípio do MM que diz que a Matemática é para todas as pessoas. Então, se usamos uma linguagem que só funciona para professoras e professores da Matemática, não estamos atingindo o nosso objetivo.
Trabalhar com docentes de outras disciplinas também é uma oportunidade para destacarmos as conexões que temos com a História, com as Ciências, com a Arte. Então, é ótimo ter um público diverso.
Blog MM: Qual a sua percepção a respeito dos materiais didáticos que estamos produzindo especialmente para este contexto dos GETs?
Jack: Temos muita experiência criando materiais para MM especificamente. Já existem materiais desenhados para espaços maker em geral, além da Matemática. Somos capazes de adaptar essas atividades um para o outro. Mas agora temos uma oportunidade bem inovadora de criar do zero uma atividade, ou uma série de atividades, que contempla profundamente a Matemática e também aproveita do contexto do espaço maker.