‘Nosso maior presente é deixar o aluno construir seu conhecimento’, diz Maitê Salinas

Formadora do Programa Mentalidades Matemáticas participou de webinar do Instituto Federal de Goiás

Como construir um ambiente seguro para que alunos argumentem e debatam sobre suas estratégias matemáticas? Qual a importância da matemática visual? Formadora do Programa Mentalidades Matemáticas, Maitê Salinas falou sobre a abordagem de ensino na palestra on-line “Para novos desafios, uma nova forma de ensinar matemática”, em 7 de julho. O encontro virtual faz parte da série Quarentena da Matemática, promovida pelo Instituto Federal de Goiás – Câmpus Valparaíso.  

Professora de matemática do Colégio Sidarta, Maitê contou sobre experiências com os alunos, práticas em sala de aula e ressaltou os desafios que enfrentou, e as reflexões que teve e ainda tem, afinal, é um processo de aprendizagem diário. 

As atividades apresentadas na palestra percorreram os principais conceitos do Programa Mentalidades Matemáticas, que se fundamenta em pesquisas na neurociência para oferecer um ensino de matemática visual, que incentiva a criatividade, celebra o esforço e cultiva a confiança e a cooperação entre os alunos, que constroem com o professor uma comunidade de aprendizagem. 

Maitê apontou que a maioria dos matemáticos relata que uma descoberta ou a solução de uma equação tomam anos de reflexão. Nas escolas, porém, a memorização e a velocidade são privilegiadas e o raciocínio cuidadoso e profundo é ignorado. A abordagem quer passar da ação passiva, em que o aluno apenas segue os procedimentos, para a ação ativa, em que o estudante pensa em conceitos e aplicações. A mensagem é clara: todos podem aprender matemática!

O erro é uma questão a ser transformada no ensino. Sinônimo de fracasso e incapacidade, afasta os alunos dos desafios e inibe suas potencialidades. Mas os erros são uma importante ferramenta no processo de aprendizagem. Pesquisas em neurociência revelam que quando somos desafiados e cometemos erros, nossos cérebros ficam mais ativos do que quando acertamos uma resposta. Quando erramos, as sinapses disparam, as rotas neurais se fortalecem e nosso cérebro cresce. 

“Temos que lidar melhor com o erro, acreditar que não é um problema, mas é parte do desenvolvimento do conhecimento. Inclusive para nossa vida. Dizemos que aprendemos com os erros, mas na educação somos muito radicais, até pela forma como a gente se coloca como professor”, afirmou Maitê.

Atividades de matemática visual

O raciocínio matemático baseia-se no processamento visual. Assim, atividades que envolvam formas, cores, imagens e não somente números, reforçam o aprendizado. A matemática visual é um dos componentes fundamentais do Mentalidades Matemáticas.

Durante a palestra, Maitê propôs aos participantes uma atividade do Youcubed. “Usando cores e símbolos, como você percebe o crescimento dessa sequência? Como será o 5º caso?”, questionou. Após aguardar algumas respostas nos comentários, apresentou algumas análises dos alunos, que indicaram padrões horizontais, diagonais ou verticais. “Todos estão certos, mas foram maneiras diferentes de responder. Quando você dá uma atividade como essa, os alunos se apropriam da tarefa e se sentem seres matemáticos”, afirmou.

A professora ofereceu novo desafio. Como seria o caso 10? É um pequeno salto que ainda permite o uso de formas e cores na sua resolução. Mas como seria o caso 100? E qual o total de quadrinhos? Já não é possível desenhar. Os alunos deixam a matemática visual e são lançados no universo das abstrações, das expressões matemáticas. Se a classe mantém o ambiente de comunidade de aprendizagem, os alunos se sentem seguros, se expõem, se encorajam e usam diferentes estratégias para encontrar a solução, como cálculos, gráficos ou fórmulas. Criam conjecturas, argumentam, mergulham na matemática sem medo.

Para Maitê, o desafio para o professor é aumentar a qualidade do pensamento e da argumentação dos alunos, pensar a matemática sem se preocupar somente com procedimentos e resultados, mas com processos e reflexões mais profundas. É fundamental que eles saibam argumentar para defender suas ideias. Mas como trabalhar essa segurança? 

Além de trabalhar o erro como parte do processo de aprendizagem, o professor adota um outro papel: deixa de ser o centro de conhecimento e se transforma em mediador, interagindo com a classe com perguntas ou reflexões para que aluno possa criar seu caminho “Quando a gente vê um aluno errando e dá a resposta, a gente tira dele a oportunidade dele aprender. Nosso maior presente é deixar ele construir seu conhecimento, que está dentro dele. E assim valorizamos o esforço”, avalia

A professora apresentou alguns exemplos de tarefas curtas para estimular a argumentação e a interação dos alunos. Qual das figuras que não pertence ao grupo? Qual número não pertence ao grupo? Novamente, os participantes responderam pelos comentários, e apontaram que há várias respostas corretas, o que permite a discussão e a participação dos alunos e uso de números e formas. E você, como você responderia? 

É um processo em que o professor aprende a desafiar os estudantes sem desconfiar de suas capacidades. Maitê relata que à medida que foi oferecendo tarefas mais complexas, descobriu que sabia pouco sobre seus alunos. Achava que talvez eles não conseguiriam realizá-las. Mas eles nunca a desapontaram. Mesmo sem encontrar a resposta correta, esforçaram-se, buscaram estratégias, interagiram uns com os outros. Conhecendo mais sobre suas potencialidades, o professor transfere mais dessa confiança os alunos. “A emoção traz um aprendizado significativo, verdadeiro. Eles se sentem felizes e potentes por argumentar, trocar ideias e persistirem. É um presente para nós, professores”, disse. 

A última atividade apresentada é uma das preferidas da professora: Quatro Quatros (link). Como chegar ao número 1 com quatro quatros? O número 16 parece mais fácil, (4×4-4+4) ou (4+4+4+4). A tarefa incentiva os alunos a encontrarem estratégias próprias e trabalha com as quatro operações. Por fim, Maitê ressaltou que um dos objetivos do Programa Mentalidades é criar uma rede de educadores, para que mais professores apliquem a abordagem e contem suas experiências. Conheças as atividades no Youcubed e participe! Para assistir ao webinar na íntegra, clique aqui.

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