“O cérebro é um músculo”?

14 de abril
Imagem de simisi1 por Pixabay

Se você frequenta uma academia de musculação ou ginástica, entende que precisa exercitar o seu corpo com frequência para que ele continue executando as funções para as quais você precisa dele no dia a dia. Ou porque quer garantir boas fotos para o Instagram. Qual seja o seu estímulo, provavelmente a academia a que costuma ir tem nas paredes algumas frases para motivar você a continuar exercitando e, consequentemente, desenvolvendo as habilidades do seu corpo, como a clássica “no pain, no gain” (sem dor, sem ganho, tradução livre). 

Outras frases de academia são aquelas ditas pelo instrutor, quando se está na metade da série de supino e os braços parecem não conseguir mais levantar o peso. “Eu sei que você consegue!”. “Tente mais uma vez!”. “Eu acredito em você!”. E quando você se dá conta, já terminou a série. Objetivo alcançado. A essa altura do texto, você já deve estar achando que abriu o blog errado, mas não. Estamos falando de Mentalidades Matemáticas. Tudo isso pode ser adaptado para a chamada mentalidade de crescimento, que serve para muito mais propósitos do que apenas o de crescer músculos. Utilizar essas mesmas frases para motivar os estudantes em sala de aula parece ser uma boa ideia?

Existe o entendimento de que a inteligência é algo fixo e predeterminado, quase como um dom divino e individual. Por outro lado, há também a ideia de que todas as pessoas são capazes de aprender e se desenvolver em quaisquer habilidades. Para ensinar matemática, é preciso que quem está transmitindo o conhecimento acredite nesse pensamento. A mudança de mentalidade deve começar pelo professor, caso contrário as frases de incentivo de nada adiantam. É necessário ter um olhar cuidadoso sobre a aprendizagem e respeitar cada fase do processo.

O erro é uma das etapas necessárias ao desenvolvimento. O fato de a matemática ser uma disciplina da área das exatas faz com que muitas pessoas, inclusive professores, achem que errar é algo inadmissível. Isso gera medo e ansiedade, o que dificulta a jornada de quem está aprendendo. O estudante acaba entendendo que o objetivo em questão é o resultado. E que se ele chega a um resultado errado, tudo está perdido. E se o foco deixasse de estar na solução de uma equação e passasse ao processo de aprendizagem daquele estudante? Talvez – não trabalhamos com certezas -, ele até fique mais confiante e o resultado seja, naturalmente, uma consequência de todo o processo, inclusive os erros. Mesmo porque você não faz a série de supino hoje como fazia no primeiro dia de academia, não é?

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