Observadores ajudam professores a entender suas escolhas em sala

Sem intervir ou julgar, profissionais atuam como ‘câmeras’ e relatam atitudes

Na sala de aula do Curso de Férias do Programa Mentalidades Matemáticas havia mais dois profissionais, além da professora e sua assistente. Discretos e com olhares atentos, anotavam cada movimento. Eram os observadores, membros de uma equipe formada pelo Instituto Sidarta que descreve as práticas em aula e compartilha as informações em reuniões diárias de avaliação.

“O observador tem esse papel importante de ajudar o professor a entender suas escolhas em sala de aula. Às vezes, o docente não percebe o que disse e o que essa fala desencadeia no processo de aprendizagem do aluno. O professor está falando, vendo a reação das crianças e planejando o que dizer, tudo ao mesmo tempo. É muito dinâmico e nem sempre é possível ter a real dimensão do impacto de uma palavra ou atitude”, afirma Anna Karina Da Col, formadora do Instituto Sidarta. Os observadores descrevem, sem julgamentos, a postura e as atitudes de professores e alunos.

As descrições eram enviadas para a coordenação do curso, que analisava o trabalho e escolhia temas a serem debatidos nas reuniões diárias de avaliação com os professores. Os observadores não interferem nas aulas.

Sem intervir, observador atua como ‘câmera’

Para Tamires Castro Souza, ser observadora é um exercício interessante, inclusive para sua prática como professora em escola particular. “Olhamos o grupo mais atentamente, sem intervir, então vemos melhor o que está acontecendo.” Para Tamires, quando o observador percebe a dinâmica do grupo, se as participações são equitativas, se todos alunos se escutam e contribuem.

Mas, por vezes, também podem se enganar. Ela conta que notou um aluno que aparentava não estar acompanhando a aula. “É preciso paciência, esperar o tempo de cada um. Poderia descrever que o aluno está prostrado, olhando para folha de atividade sem interesse. Dali a cinco minutos, ele participou e resolveu o exercício. Na verdade, estava olhando para folha e pensando na atividade, só faltava debater com os colegas”, explica Tamires.

Anna Karina faz uma analogia da atividade com uma câmera, que ajuda a olhar o que o professor não vê, um exercício que precisa de experiência para atingir um refinamento. Ela destaca que não basta o observador descrever a explicação do professor como “ótima”. “O que ajuda é dizer que a explicação foi feita uma única vez, todos entenderam e não foi preciso retomá-la. Isso são evidências de que foi assertiva. Se é bom ou se é ruim não importa: não há juízo de valor.”

Tamires ressalta a importância da formação de 100 horas do Instituto Sidarta em 2019, quando professores e observadores fizeram as mesmas atividades dos alunos no Curso de Férias. “Isso nos deu clareza para entender as reações dos estudantes, suas fases de desenvolvimento durante cada atividade. Se não tivéssemos realizado a formação seria muito mais difícil descrever, orientar ou ter empatia pela dificuldade que eles poderiam passar”, completa a observadora.

Essa troca com os alunos e a noção de se colocar no lugar deles foi fundamental para a relação de confiança criada nos dez dias do Curso de Férias. Crianças de 9 anos, que nunca haviam tido contato com a abordagem do Programa Mentalidades Matemáticas, em pouco tempo mudaram o comportamento na sala de aula e passaram a olhar a matemática de outra maneira.

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