“’Pessoas de exatas’ não existem”, afirma professora Aline Oliveira

09 de dezembro

Curso EAD de formação do Mentalidades Matemáticas mudou a forma como docente da rede pública vê a disciplina

Aline Oliveira decidiu ser professora porque não se adaptava à matemática necessária no primeiro curso que escolheu, o de Nutrição. “Virou meu trauma fazer cardápio”, ri. Sempre se viu como o oposto de uma “pessoa de exatas”, esse ser mitológico que assombra tantos estudantes e professores. Há cinco anos trabalhando como professora, na rede pública de Cotia (SP), os dias em que era escolhida para dar aulas de matemática lhe davam dores de cabeça  e não no sentido figurado. Tinha insegurança com a forma de ensinar. 

Foi por essa insegurança que ela decidiu fazer o curso de formação “Matemática e Equidade”, do Programa Mentalidades Matemáticas, oferecido aos professores da escola onde trabalha. Relembrar conteúdos cairia bem para ensinar melhor a disciplina. O que ela não esperava é que o curso causasse o que chama de “reforma mental” em sua maneira de pensar sobre a matemática. 

O curso é uma adaptação da formação presencial, debatendo os principais conceitos e práticas do Ensino para Equidade, de Rachel Lotan, e da abordagem Mentalidades Matemáticas, como a neurociência, a observação e gestão de sala de aula, e a promoção da equidade. Promovida pelo Instituto Sidarta com apoio da Cabot Corporation, a formação semipresencial durou 21 semanas. Além de discutir as teorias que embasam as propostas de práticas docentes, o grupo fez trabalhos colaborativos em grupo, de maneira remota. Essas atividades permitiram às professoras experimentar a vivência como aprendizes, criando uma empatia maior com seus alunos. 

As turmas de Aline são do Ensino Fundamental. “É lá que a gente começa a odiar a matemática”, disse, explicando por que considera importantíssimo os professores dessa etapa estarem atualizados. “Se o professor ensinar de uma forma melhor, quando o aluno chegar ao Fundamental II ou ao Ensino Médio não vai ver a matéria com tanto preconceito”, avaliou. 

Professora revisita vida de estudante 

O curso encorajou a professora a trabalhar o conteúdo de maneira aberta, criativa e visual, e a confiar na capacidade dos alunos de construir o conhecimento nesse formato. “Um professor nasce aluno”, contou Aline. Tudo o que um professor faz em sala de aula, observa, foi de várias maneiras moldado pelas experiências que viveu como estudante. E a maioria aprendeu matemática pelos métodos tradicionais, os mesmos que fazem os alunos odiarem a matemática. “Se houver professores que não receberam uma educação tradicional, arcaica, é uma minoria muito pequena”, afirmou.

Mesmo em escolas de excelente reputação, o ensino da matemática ainda costuma ser feito da maneira tradicional. A escola estadual onde Aline estudou durante o ensino fundamental, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, é até hoje considerada modelo. “Quando estudava lá, no terceiro ano já tínhamos cinco professoras, não especialistas, mas pedagogas com sala ambiente. Quando tocava o sinal, nós mudávamos de sala para a troca de matéria. Tinha horta, biblioteca, feira cultural.” 

Foi esse ambiente que inspirou Aline a trocar a nutrição pela pedagogia. “Eu amava de paixão minha escola, queria ser uma professora como eram as professoras de lá”. Na matemática, porém, a abordagem era tradicional. O resultado foi que Aline cresceu com a crença limitante de que não era capaz de fazer matemática. Escolheu estudar Nutrição para fugir da disciplina de exatas, mas não contava com a necessidade de balancear os cardápios. Já formada em pedagogia, também precisou enfrentar a matemática. 

“Nos dias em que tinha na programação que eu daria aula de matemática, ia para casa com a cabeça explodindo”, contou. “Ficava aquela pressão de ‘será que estou sendo clara?’, e a preocupação em passar propriamente o conteúdo, aquela fórmula, metodicamente.”

Agora, Aline se prepara para aplicar tudo que aprendeu no curso, quando todos puderem voltar às aulas presenciais. Enquanto isso não é possível, a professora segue ensinando a distância devido à pandemia, tentando driblar os recursos ainda bastante limitados. 

O principal presente que Aline levou para casa com o curso foi o aprendizado de que as aulas podem e devem ser mais leves. Além disso, a professora descobriu uma outra forma de se relacionar com a matemática, percebendo, por exemplo, os erros como oportunidade de aprendizagem, a possibilidade de poder criar seu próprio caminho para resolver um problema e não apenas seguir um método pré-determinado, dentre outros conceitos da abordagem. Com interesse e exercício, todos podem aprender matemática em seu tempo. Sorrindo, ela conclui: “pessoas de exatas” não existem


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