Rede MM une professores que buscam inovar no ensino da matemática

Promover o ensino de uma matemática aberta, criativa e visual é o objetivo do Programa Mentalidades Matemáticas. Mas para esse sonho se tornar realidade nas escolas brasileiras, é necessário expandir esse conceito para que os professores dos quatro cantos do país entrem em contato com essa abordagem. E em plena pandemia de COVID-19 é que nasce a rede MM.

Criada em setembro de 2019 pelo Instituto Sidarta, a Rede MM conecta professores de todo o Brasil que já conhecem, aplicam ou que simplesmente têm curiosidade em conhecer e se conectar aos conceitos do Programa Mentalidades Matemáticas (MM). O desafio proposto pelo Instituto a esses professores dos diferentes cantos do Brasil foi organizar células (grupos segmentados por região, tema ou objeto de conhecimento) para que o movimento fosse mais orgânico.

O objetivo é alcançar professores em todos os estados brasileiros, ampliando a capilaridade do programa. De acordo com a diretora do Instituto Sidarta, Claudia Siqueira, a Rede MM é voltada para professores inquietos, que se perguntam como o aluno pode aprender matemática em altos níveis e que colocam o estudante no centro do aprendizado. 

“A partir dessa premissa, fizemos um chamado pelas redes sociais, uma convocação de professores que querem saber, discutir, conhecer e trocar experiências, a fim de elaborar discussões mais profundas e implantar essa abordagem em sala de aula”, explicou Claudia. 

O chamado deu certo. Hoje, a Rede MM conta com 9 células (SP, RJ, CE, PE, BA e DF), totalizando mais de 200 participantes.

Como funcionam as células? 

Os interessados em participar do programa podem se unir às células já existentes, ou criar as próprias. Há vários grupos regionais, que unem professores do mesmo estado ou região dispostos a conversar e a trocar experiências sobre a abordagem. 

Porém, há dois pré-requisitos essenciais para participar ou formar as próprias células: os grupos precisam ter, pelo menos, 10 participantes e devem ser compostos por 70% de professores da rede pública e 30% de docentes da rede privada. “Quanto mais diverso o grupo, melhor será a troca”, enfatiza Claudia. Por conta disso, é reforçado que a célula seja composta por diferentes unidades escolares e realidades de atendimento. 

A autonomia dos participantes é outro ponto reforçado por Claudia. Segundo ela, o papel do Instituto Sidarta é o de “retroalimentar” as células, promovendo encontros maiores e trazendo demandas e reflexões para os membros. “As próprias células já se reúnem entre si. Eles têm a organização e o cronograma deles.”

Os encontros organizados pelo Mentalidades Matemáticas acontecem 2 vezes por mês por meio de plataformas on-line de vídeo – o que facilita a integração entre os professores de todo o país. O primeiro encontro de 2021 acontecerá no dia 7 de abril para apresentar a agenda 2021. Nessa agenda, será informada a data do encontro com Jack Dieckmann, diretor do Centro de Pesquisas Youcubed, da Universidade de Stanford, que vai falar sobre o desafio de se propor atividades abertas criativas e visuais sob um contexto pandêmico. 

Histórias que inspiram

Em cinco meses de existência, a Rede MM tem possibilitado inúmeras trocas entre professores da rede pública e da rede particular. A professora Elisa Cordeiro, por exemplo, integra a célula do Rio de Janeiro e tem achado os encontros enriquecedores. “É maravilhoso reunir os professores da rede particular com os da rede pública, porque temos a possibilidade de trazer uma matemática mais democrática para sala de aula”, comemorou. 

Durante os encontros, Elisa e os colegas trocam experiências, leem os capítulos dos livros que integram a abordagem de Mentalidades Matemáticas e discutem como usar os aprendizados na prática – o que, para ela, tem dado grandes resultados. Elisa leciona em uma escola privada na Barra da Tijuca, que já trabalha com os conceitos de Jo Boaler. 90% da escola é apaixonada por matemática. É muito gratificante ver um aluno que falava ‘não vou conseguir’ terminar o ano realizando essas atividades”, disse. 

Porém, Elisa frisa que a implementação da abordagem nas escolas públicas é mais desafiadora, e que o cenário ideal seria o ensino de uma matemática criativa, visual e aberta em todas as instituições de ensino. “Estamos plantando a sementinha para ver se conseguimos levar a abordagem da Mentalidades Matemáticas para o mundo inteiro.” 

Mas se engana quem pensa que os grupos de estudo proporcionados pela Rede MM mudam somente a vida dos alunos. Eles também são um grande divisor de águas na vida dos docentes. 

A professora Patrícia Barreto, que faz parte da célula do Nordeste, destaca os benefícios que o programa e a abordagem do Mentalidades Matemáticas trouxeram para a sua vida. “Mudou a minha forma de ensinar e de enxergar a matemática, além de ter me dado mais estímulo para estudar”, disse. 

Patrícia, que leciona na Escola SESI Candeia e na Secretaria de Educação de Candeias, ambas na Bahia, aplicou a proposta do programa Mentalidades Matemáticas em sua sala de aula em plena pandemia e com o ensino remoto. “O retorno deles foi sensacional. Eles não têm mais medo de errar, e esse é um ganho que não tem preço”, afirmou. 

Para a professora Keila Leitão, que integra a célula do Ceará, é muito importante participar de uma rede que traz uma abordagem mais criativa, aberta e visual sobre a matemática. “A gente percebe quando os nossos alunos mudam as suas mentalidades a respeito da matemática. Fica mais gostoso ensinar, ver e perceber a aprendizagem deles”, destacou. 

A professora, que leciona para o ensino médio de um colégio da rede estadual de Fortaleza, defendeu a ampliação do programa para professores de todo o país. “É fundamental convidar mais pessoas e promover um alcance maior para esse projeto, que tem um potencial gigantesco. o ideal é que a gente alcance todos os professores, porque o programa Mentalidades Matemática é uma vivência muito importante para que tanto o professor, quanto o aluno, possam ter essa interação verdadeira com a disciplina.”

Os casos de Elisa, Patrícia e Keila são alguns dos muitos exemplos de sucesso da Rede MM e, consequentemente, do programa como um todo. Para Claudia Siqueira, a Rede MM ajuda a ampliar o repertório e as ferramentas dos professores, reunindo pessoas interessadas em debater e alterar o ensino da matemática no Brasil. 

“O intuito é oferecer uma ação colaborativa, para todos trabalharem e pensarem juntos. O fato de a gente conseguir essa representatividade em todo o Brasil demonstra a grande relevância dessa pauta”, finaliza.

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4 Comentários

  • Olá,Sou Aline,mora na cidade de Juazeiro do Norte-Ce,professora de Matemática desde de 2006.Leciono Álgebra nos 1 anos do EM, e Desenho Geométrico no EF…Gostaria muito participar do grupo.A minha rede social,o meu Instagram,é voltada pra educação,onde as postagens,são questões resolvidas,de Enem, e outros Vestibulares, postos também dicas interssantes,conteúdos, pra ajudar os jovens que querem aprender sempre mais….Gosto muito de reciclar,busco ideias,pra aprimorar minhas aulas remotas no momento,já fiz jogos,e quiz….Aguardo retorno…

  • Sou professora de matemática e estou muito feliz em fazer parte desta live no dia 07 de abril

  • Olá
    Sou Deacélia e gostaria de participar de um grupo. tenho intenção em conhecer pessoas que consequentemente apresentam ideias e culturas diferentes. Isso é fantástico e ajuda na aprendizagem, interação!!

    • Olá Deacélia! Ficamos muito felizes em saber do seu interesse em participar da Rede MM. Vamos lançar, em breve, uma nova plataforma. Seu e-mail já está na nossa base de cadastros para receber as informações. Abraços!

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