Um apaixonado pela matemática: conheça a trajetória de Srinivasa Ramanujan

Ao redor do mundo podemos encontrar milhares de matemáticos inspiradores. É importante apresentar suas trajetórias aos mais jovens, o que pode ser um incentivo para que se interessem pela disciplina dos números. E para contribuir nessa tarefa, neste post iremos recordar a história de Srinivasa Ramanujan, matemático indiano que deixou um extenso legado na disciplina e inspirou o filme O homem que viu o infinito, baseado em sua biografia.

Despertar para os números

Srinivasa Ramanujan nasceu em 1887, em Erode, na Índia. Iniciou seus estudos aos cinco anos e conta-se que desde muito jovem era conhecido pelas boas notas. Tanto é que não tardou para que suas contribuições para a matemática aparecessem – aos 16 anos se encantou pela disciplina e provou suas primeiras fórmulas. Nessa época, o jovem se dedicava a desvendar o livro “Sinopse da matemática”, que reunia milhares de teoremas, mas a maioria ainda sem provas. 

Em especial, Ramanujan se interessava por álgebra e cálculo. Seu desinteresse pelas outras disciplinas, contudo, levou a reprovações nos estudos, e Ramanujan foi então trabalhar como contador e frequentar a faculdade como ouvinte. Mas, ainda assim, suas descobertas chamaram a atenção de outros matemáticos. Foi o caso do inglês G. H. Hardy, da Universidade de Cambridge, para quem Ramanujan enviou seus melhores resultados, aos 23 anos. A carta resultou em um convite para perpetuar seus achados na Inglaterra.

Apesar de ser um brâmane, a casta mais alta da tradicional estratificação social indiana, a família de Ramanujan era muito pobre. Sua condição mudou quando foi trabalhar, período em que também passou a ficar conhecido no meio acadêmico. Sua visita à Inglaterra durou cinco anos, tendo atuado em Cambridge e desenvolvido ainda mais sua matemática. Seu trabalho, inclusive, o fez virar membro eleito da sociedade da universidade.

Principais contribuições

Ramanujan chegou a diversos resultados que até hoje são conhecidos na matemática pelo seu nome, especialmente nas áreas de análise matemática, teoria dos números, séries infinitas e frações continuadas. Um exemplo divertido é o Número Taxicab, também chamado de Número Hardy-Ramanujan. Conta-se que em uma visita a Ramanujan, Hardy disse que chegou ao local em um táxi que tinha na placa um “número sem importância”, segundo ele, 1729. “Não, Hardy, esse é um belo número. Ele é o menor inteiro formado pela soma de dois outros inteiros elevados ao cubo!”, teria respondido o amigo. As duas formas são 1729 = 10³ + 9³ = 1³ + 12³.

Algumas de suas fórmulas, porém, estavam erradas, mas a maioria era correta e outras foram comprovadas só posteriormente, por outros matemáticos. O francês Pierre Deligne, por exemplo, conquistou em 1978 a Medalha Fields após provar a Conjectura de Ramanujan. Outros de seus trabalhos têm sido usados até mesmo para compreender o comportamento de buracos negros.

Inspiração

Embora Srinivasa Ramanujan atribuísse suas descobertas à Mahalakshmi – ele dizia que a deusa hindu, protetora da sua família, lhe dava inspiração divina; por isso nem sempre sabia explicar suas fórmulas –, a trajetória do indiano mostra como o interesse pela matemática pode contribuir com o aprendizado. 

Como lição aos educadores, para estimular a curiosidade pela disciplina, vale tentar trabalhar com os alunos com uma matemática mais aberta e criativa, fazendo uso de recursos interativos, visuais e até lúdicos para ensinar conceitos. Valorizar as tentativas e o trabalho em grupo e, ainda, levar para a sala de aula histórias de matemáticos como Ramanujan também contribui para mostrar que a matemática pode ser muito mais interessante do que parece!

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Referências externas

Ramanujan foi um matemático inspirado pelos deuses. IMPA. Acesso em 2021.

Srinivasa Ramanujan. Nature. Acesso em 2021.

Srinivasa Ramanujan. UFABC. Acesso em 2021.

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