‘Vai mudar minha prática em sala de aula’, diz professora do Curso de Férias

07 de fevereiro

Profissionais contam suas experiências com a abordagem Mentalidades Matemáticas

A professora pega um pedaço de giz e olha para os estudantes nas carteiras enfileiradas. Nos minutos seguintes, desafiará suas cordas vocais para explicar a matéria e pontualmente responder dúvidas ou acalmar os alunos. Definitivamente, essa não é uma aula do Curso de Férias do Programa Mentalidades Matemáticas.

As diferenças entre uma sala de aula convencional e a do Curso de Férias começa pela disposição das carteiras. A turma se divide em grupos de quatro alunos, e o objetivo do professor é ser um mediador do conhecimento, alimentando a confiança e a cooperação entre os alunos. Para muitos docentes, essa foi a estreia na abordagem Mentalidades Matemáticas. “Durante o curso, percebemos como é complexo perguntar, provocar reflexões, abordar a classe para manter os alunos seguros e confiantes,” conta a professora Emília Gil.

Hévila Costa Candido destaca que “mediar requer muita atenção, porque você precisa fazer boas perguntas, que vão manter o engajamento e a dinâmica da atividade. Por isso é muito importante fazer planejamento”.

Dentro das salas, era comum ver um aluno na frente da lousa explicando um resultado. Um deles contou como calculou “23 menos 9”. Na sequência, outra aluna levanta e explica a sua maneira. Eles têm estratégias diferentes, mas chegaram ao mesmo resultado – correto. Um terceiro aluno conta como solucionou o problema, mas o resultado é diferente. A professora mediadora entra em ação fazendo perguntas, sem induzir ou dar a resposta, e incentivando o debate entre os alunos para entenderem os diferentes raciocínios e também os erros.

“Antes eu achava que não podia errar, agora sei que posso”

“A valorização do erro vai na contramão de que precisamos de uma resposta correta e rápida para atividades matemáticas. É o conceito que mais me encanta, pois os alunos percebem que é a construção de um novo caminho, que você é apenas um mediador e estamos em uma comunidade de aprendizagem”, explica a professora Regiane Picinin. Ela lembra um comentário de uma aluna: “antes, eu achava que não podia errar, agora sei que posso”.

As professoras destacam o benefício do esforço, a mentalidade de crescimento e a colaboração como as mensagens mais internalizadas pelos estudantes. Para elas, ficou nítido nas falas e atitudes que os alunos sentiram que todos podem aprender matemática. A professora Emília Gil conta que foi emocionante perceber como os alunos incorporaram os conceitos e o vocabulário do curso. Ela cita um estudante que, ao apresentar uma estratégia, perguntou se a classe estava “convencida” ou ainda estava “cética” com seu raciocínio. As expressões, pouco usuais nas salas de aula, foram introduzidas nos primeiros dias de curso.

Todos os dias os docentes participaram de uma reunião de avaliação, em que debatiam as reações das crianças, o ritmo das aulas, as diferenças de estratégias. O encontro fortalecia o vínculo entre a equipe e enriquecia o olhar da prática. “Foram momentos de reflexão e replanejamento. Em alguns dias, percebemos que os alunos precisavam de mais tempo para concluir uma certa atividade e atingir a habilidade e a mentalidade que buscávamos desenvolver”, conta Regiane.  

A avaliação das professoras é que o Curso de Férias superou as expectativas tanto na prática dos professores quanto na mudança de comportamento dos alunos. Emília afirma que “foi uma sucessão de superações, de aprofundamento, desde a formação do Instituto Sidarta. Uma construção muito grande para que chegássemos ao fim do curso. Acredito que fizemos um belo trabalho”. “Foi uma experiência muito produtiva, um aprendizado que vai mudar muito minha prática em sala de aula”, concluiu Hévila.