Jornal Valor Econômico alerta para falta de matemáticos e destaca resultados do Curso de Férias

19 de novembro

Reportagens mostram impacto da falta de profissionais para o mercado e as estratégias para melhorar o ensino na base

Embora a economia atual e o novo mercado de trabalho demande cada vez mais o uso da matemática, a formação no Brasil está prejudicada em todos os seus níveis, aponta a reportagem “Há pouco matemáticos para um novo mercado” do jornal Valor Econômico. Os caminhos que podem ajudar a resolver esse problema são tema de uma segunda matéria publicada na mesma página em 9 de novembro. Em “Stanford quer mudar a relação com a disciplina”, o repórter Gabriel Vasconcelos entrevista Jack Dieckmann, diretor do Centro de Pesquisa Youcubed da Universidade Stanford, sobre o trabalho realizado pelo Programa Mentalidades Matemáticas no Brasil.

Segundo um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a demanda por profissionais de tecnologia no Brasil será de 70 mil ao ano. O número de formados na área até lá, porém, deve girar em torno de 46 mil – um déficit de cerca de 120 mil profissionais em cinco anos. “Hoje o Brasil forma, em média, 200 doutores por ano na áreas de matemática e estatística”, disse Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), ao jornal. “Esse número é oito vezes inferior ao dos Estados Unidos e de duas a três vezes menor que a capacidade de formação na França. É um calcanhar de aquiles com sérias repercussões econômicas”. 

Na reportagem, Viana recupera estimativa feita por ele em coluna na Folha de S.Paulo e apresentada em webinar do Mentalidades Matemáticas, dizendo que o Brasil poderia movimentar até R$ 1 trilhão por ano caso empregasse profissionais de atividades matematizadas na mesma proporção de outros países.

Entre as muitas questões que dificultam o ensino da matemática em nível superior, como cortes de verba para universidades públicas e para a pesquisa científica, um dos principais problemas que impedem esse crescimento é anterior aos bancos universitários. “Quando conseguem acessar a universidade, muitos estudantes não acompanham as disciplinas engrossando as taxas de evasão”, afirmou o jornal. 

Como melhorar a relação com a matemática?

Isso ocorre porque as crianças e jovens não aprendem a matemática como deveriam ainda nas escolas, levando a resultados como o de 70% dos adolescentes de 15 anos no Brasil não dominarem a matemática básica, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Em sala de aula, concepções de ensino ultrapassadas, como decorar fórmulas, priorizar a velocidade e abominar o erro também entram na equação. Criam gatilhos de ansiedade nas crianças e acabam bloqueando o interesse pela área. “Temos ideias e tecnologias novas, mas a estrutura de ensino da matemática na maior parte do mundo praticamente não mudou nos últimos 50 anos”, disse Dieckmann ao Valor. “O professor explica e os alunos imitam. Essa abordagem faz com que poucos tenham sucesso em matemática e as economias acabam perdendo muitos talentos em potencial”.

O jornal ressalta o potencial da abordagem Mentalidades Matemáticas, desenvolvida por pesquisadores de Stanford e aplicada no Brasil pelo Instituto Sidarta. A reportagem cita os resultados do Curso de Férias Mentalidades Matemáticas realizado em janeiro em escolas da rede municipal de Cotia, em São Paulo. “Os primeiros resultados indicaram que uma imersão de 10 dias levou a uma evolução média de 1,3 ano de escolaridade em conceitos matemáticos”, destaca o Valor Econômico. 

Além de Viana e Dieckmann, o jornal entrevistou Flávio Dickstein, professor dos cursos de Matemática Aplicada e Engenharia Matemática na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, o Brasil ocupa posição de destaque nos mais altos níveis da pesquisa em matemática. Em 2018, a União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês) incluiu o Brasil no restrito Grupo 5, que reúne os 11 países mais desenvolvidos na pesquisa em matemática. Só que são muito poucos os estudantes que chegam até lá.

Com o ensino adequado e o mercado que está se abrindo em tecnologia, os brasileiros têm toda a capacidade para ir além na matemática – e a economia brasileira tem muito a se beneficiar disso. Um dos maiores exemplos é a pandemia que parou o mundo durante 2020. “Matemáticos e engenheiros de computação foram tão requisitados quanto epidemiologistas para tratar dados e modelar o fenômeno”, disse Dickstein.


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