Webinar debate abordagem Mentalidades Matemáticas com pesquisadores e professores

Encontro com Maitê Salinas e Jack Dieckmann foi promovido pelo Grupo de Ensino e Pesquisa em Matemática no Ceará

Como professores e pesquisadores podem apoiar o ensino de matemática aberto, criativo e visual? A partir da atividade “Conversas Numéricas”, Jack Dieckmann, diretor do Centro de Pesquisas Youcubed da Universidade Stanford (EUA), e Maitê Salinas, formadora do Programa Mentalidades Matemáticas, debateram aspectos da abordagem e ressaltaram como esses profissionais podem contribuir com outras análises e perspectivas. Jack e Maitê participaram do webinar Mentalidades Matemáticas na prática, como começar?, na quarta-feira (30). Promovido pelo Grupo de Ensino e Pesquisa em Matemática no Ceará (GEPEMAC), o encontro virtual contou com quase 200 pessoas assistindo simultaneamente. 

Para engajar o público, Maitê pediu aos participantes para calcularem 25×19. Como em uma aula, primeiro ouviu os resultados e depois as estratégias. “Esse momento é muito precioso para os alunos, que precisam estar confortáveis e confiantes para compartilhar suas ideias e se sentirem matemáticos”, afirmou. 

É uma atividade que propicia duas questões, a desconstrução do papel do professor – que passa a ser um mediador do conhecimento – e a valorização de ambiente seguro de aprendizagem. Elas se manifestam no cuidado ao ouvir os pensamentos dos alunos, no respeito ao tempo de cada um e na atenção ao fazer perguntas que estimulem a criatividade. Independentemente se a resposta está correta ou não.

Maitê recorda que nas primeiras vezes que aplicou a atividade, até pelo medo dos alunos de se exporem e cometerem erros, quase ninguém contou sua estratégia. O importante é dar continuidade, os estudantes vão percebendo o acolhimento, que todos são ouvidos e respeitados, e a participação aumenta naturalmente. “O silêncio no início é incômodo, mas depois é um conforto, porque os alunos percebem que o professor valoriza o raciocínio, não a velocidade”, disse.

Planejamento

O professor deve se planejar, perguntando que operações levaria para sala de aula, a sua intenção ao escolher uma multiplicação ou uma divisão. Maitê sugeriu também refletir sobre quais são as melhores perguntas para mostrar que reconhece o raciocínio do aluno. “Temos muito a explorar em um cálculo, estratégias e representações. Não estamos nas nuvens, estamos falando de coisas práticas. Quando os meninos se dão conta de que o erro não é um problema, sentem-se mais livres”, avaliou Dieckmann. 

Ele afirmou que os alunos precisam dessa fluidez nos cálculos para entender a matemática mais avançada. E os professores também, para ajudar os estudantes. “As conversas numéricas parecem simples, mas são muito potentes e despertam a matemática em todos”, apontou. Ela sublinhou os quatro pilares da abordagem:

  • Qualquer pessoa é matemática;
  • Erros são sinal de que a pessoa pode crescer;
  • A velocidade não é tão importante quanto o pensamento cuidadoso;
  • A compreensão é mais relevante do que a memorização. 

Dieckmann levantou alguns temas. Como escolher as questões de conversas numéricas, quais cálculos são indicados para cada ano? Sugeriu encontros para estudar a abordagem, compartilhar ideias e assistir e analisar vídeos e trabalhos de alunos em grupo (disponíveis no Youcubed). Recomendou também identificar e apoiar treinamento de lideranças para dividir suas experiências e dicas. A pergunta fundamental é: como poderiam ajudar o professor a aplicar essa prática? 

O diretor do Youcubed ressaltou a importância de mais pesquisadores se debruçarem sobre a abordagem. “Queremos mais pessoas estudando, para que essa prática coletiva seja baseada em evidências. Por exemplo, como provar que os alunos estão se tornando mais flexíveis numericamente? Qual é o impacto de fazer conversas numéricas regularmente? Quais variações e adaptações úteis e que mantém a integridade da atividade? Como traduzir isso para diferentes contextos?”, questionou.

Um dos objetivos do Mentalidades Matemáticas é tropicalizar os estudos da Universidade Stanford, adaptando-os à realidade brasileira. Uma construção coletiva, teórica e sobretudo, prática. A série de webinários Multiplicando saberes, apresentada por Dieckmann, ocorre mensalmente e todos os encontros estão em nosso Facebook, onde você encontrará mais informações. Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato. Todos podem contribuir!

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *