Webinar debate abordagem Mentalidades Matemáticas com pesquisadores e professores

07 de outubro

Encontro com Maitê Salinas e Jack Dieckmann foi promovido pelo Grupo de Ensino e Pesquisa em Matemática no Ceará

Como professores e pesquisadores podem apoiar o ensino de matemática aberto, criativo e visual? A partir da atividade “Conversas Numéricas”, Jack Dieckmann, diretor do Centro de Pesquisas Youcubed da Universidade Stanford (EUA), e Maitê Salinas, formadora do Programa Mentalidades Matemáticas, debateram aspectos da abordagem e ressaltaram como esses profissionais podem contribuir com outras análises e perspectivas. Jack e Maitê participaram do webinar Mentalidades Matemáticas na prática, como começar?, na quarta-feira (30). Promovido pelo Grupo de Ensino e Pesquisa em Matemática no Ceará (GEPEMAC), o encontro virtual contou com quase 200 pessoas assistindo simultaneamente. 

Para engajar o público, Maitê pediu aos participantes para calcularem 25×19. Como em uma aula, primeiro ouviu os resultados e depois as estratégias. “Esse momento é muito precioso para os alunos, que precisam estar confortáveis e confiantes para compartilhar suas ideias e se sentirem matemáticos”, afirmou. 

É uma atividade que propicia duas questões, a desconstrução do papel do professor – que passa a ser um mediador do conhecimento – e a valorização de ambiente seguro de aprendizagem. Elas se manifestam no cuidado ao ouvir os pensamentos dos alunos, no respeito ao tempo de cada um e na atenção ao fazer perguntas que estimulem a criatividade. Independentemente se a resposta está correta ou não.

Maitê recorda que nas primeiras vezes que aplicou a atividade, até pelo medo dos alunos de se exporem e cometerem erros, quase ninguém contou sua estratégia. O importante é dar continuidade, os estudantes vão percebendo o acolhimento, que todos são ouvidos e respeitados, e a participação aumenta naturalmente. “O silêncio no início é incômodo, mas depois é um conforto, porque os alunos percebem que o professor valoriza o raciocínio, não a velocidade”, disse.

Planejamento

O professor deve se planejar, perguntando que operações levaria para sala de aula, a sua intenção ao escolher uma multiplicação ou uma divisão. Maitê sugeriu também refletir sobre quais são as melhores perguntas para mostrar que reconhece o raciocínio do aluno. “Temos muito a explorar em um cálculo, estratégias e representações. Não estamos nas nuvens, estamos falando de coisas práticas. Quando os meninos se dão conta de que o erro não é um problema, sentem-se mais livres”, avaliou Dieckmann. 

Ele afirmou que os alunos precisam dessa fluidez nos cálculos para entender a matemática mais avançada. E os professores também, para ajudar os estudantes. “As conversas numéricas parecem simples, mas são muito potentes e despertam a matemática em todos”, apontou. Ela sublinhou os quatro pilares da abordagem:

  • Qualquer pessoa é matemática;
  • Erros são sinal de que a pessoa pode crescer;
  • A velocidade não é tão importante quanto o pensamento cuidadoso;
  • A compreensão é mais relevante do que a memorização. 

Dieckmann levantou alguns temas. Como escolher as questões de conversas numéricas, quais cálculos são indicados para cada ano? Sugeriu encontros para estudar a abordagem, compartilhar ideias e assistir e analisar vídeos e trabalhos de alunos em grupo (disponíveis no Youcubed). Recomendou também identificar e apoiar treinamento de lideranças para dividir suas experiências e dicas. A pergunta fundamental é: como poderiam ajudar o professor a aplicar essa prática? 

O diretor do Youcubed ressaltou a importância de mais pesquisadores se debruçarem sobre a abordagem. “Queremos mais pessoas estudando, para que essa prática coletiva seja baseada em evidências. Por exemplo, como provar que os alunos estão se tornando mais flexíveis numericamente? Qual é o impacto de fazer conversas numéricas regularmente? Quais variações e adaptações úteis e que mantém a integridade da atividade? Como traduzir isso para diferentes contextos?”, questionou.

Um dos objetivos do Mentalidades Matemáticas é tropicalizar os estudos da Universidade Stanford, adaptando-os à realidade brasileira. Uma construção coletiva, teórica e sobretudo, prática. A série de webinários Multiplicando saberes, apresentada por Dieckmann, ocorre mensalmente e todos os encontros estão em nosso Facebook, onde você encontrará mais informações. Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato. Todos podem contribuir!