Webinar “Como ensinar a matemática do futuro?” é tema de reportagem na BBC Brasil

Matéria sobre debate promovido pelo Instituto Sidarta foi repercutida por Folha, G1 e Uol

A pandemia da Covid-19 revelou a importância dos gráficos e da modelagem matemática para entender o presente e fazer previsões. Entretanto, segundo especialistas, a dificuldade interpretá-los e tomar decisões demonstra o déficit do ensino da disciplina no Brasil. O assunto foi tratado na reportagem da BBC News Brasil “As falhas do ensino da matemática expostas pela pandemia do coronavírus”, publicada no sábado (6). A repórter Paula Adamo Idoeta acompanhou o webinar “Como ensinar a matemática do futuro?”promovido pelo Instituto Sidarta, e entrevistou um dos participantes: Jack Dieckmann, diretor de pesquisa do Youcubed da Universidade Stanford (EUA). A reportagem teve repercussão em portais como F5da Folha de S.PauloG1R7Uol e Época Negócios.

Mediado por Tatiana Klix, diretora do PorVir, o encontro virtual, realizado em 28 de maio na página do Facebook do Mentalidades Matemáticas, contou também com a participação do diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, e da professora de matemática do Colégio Sidarta Maitê Salinas. A transmissão foi acompanhada, ao vivo, por 650 pessoas. E o público não para de crescer. O vídeo já tem mais de 17 mil visualizações.

Na reportagem da BBC, Jack Dieckmann defende que os estudantes tenham uma alfabetização de dados, o que permitiria entender gráficos, probabilidades e, sobretudo, saber como usar esse conhecimento para tomar decisões. “Os currículos não estão preparando os estudantes para serem alfabetizados na leitura de dados. Se não os entendemos, só o que eles nos causam é medo. Se somos alfabetizados em dados, sabemos que essas tendências são influenciadas e mudadas (por nós mesmos)”, disse.

Reportagem da BBC destacou o Webinar “Como ensinar a matemática do futuro?”

Como abordamos aqui no Blog na matéria “Por que ensinar Ciência de Dados na escola”, a disciplina é interdisciplinar, combinando probabilidade, estatística, análise de dados e computação para analisar e simular dados econômicos, sociais entre outros. Se aplicadas em sala de aula, trariam uma abordagem exploratória, com atividades mais criativas e engajadas, baseadas em encontrar desafios, coletar dados e usar matemática ou softwares para encontrar respostas e interpretá-las.

Um currículo escolar que auxilie os estudantes a decifrar o mundo precisaria incluir, além da Ciência de Dados, análise combinatória, lógica e estatística e probabilidade, defende Marcelo Viana. “O raciocínio lógico é absolutamente negligenciado (no ensino de matemática), o que é trágico. Outra área que custa para chegar à sala de aula é a combinatória, base da ciência da computação e da tecnologia da informação.”

Viana comemora que estatística e probabilidade foram integradas a BNCC (Base Nacional Curricular Comum), documento que define as diretrizes do ensino público e privado no Brasil. A disciplina, que começa no Ensino Fundamental 1, “têm infinitos usos cotidianos, dos mais simples – como entender a probabilidade de chuva em um dia qualquer – aos mais complexos, como identificar padrões de infecções em hospitais para adotar medidas de prevenção”, aponta a reportagem.

A repórter da BBC cita o exemplo apresentado pela professora Maitê Salinas no webinar. Em uma aula on-line para uma classe do 8º ano do Ensino Fundamental, ela usou gráficos para explicar as características do contágio pelo novo coronavírus, em progressão exponencial. Os alunos compreenderam que o aumento se dava pela multiplicação. O conteúdo matemático, associado à crise sanitária, forneceu respostas às questões da atualidade, como o contágio e a necessidade de isolamento social. Leia matéria que detalha essa aula.

A reportagem destaca ainda o Youcubed, plataforma on-line do Programa Mentalidades Matemáticas, que disponibiliza gratuitamente atividades abertas, criativas e visuais e cita a página especial Youcubed em casa com atividades matemáticas que podem ser realizadas durante o recesso escolar, para crianças de todas idades. Aponta também conceitos da abordagem, que privilegia o raciocínio profundo e cuidadoso, valoriza os erros no processo de aprendizagem e critica o ensino baseado na velocidade e na memorização. “A ideia do projeto é que a matemática deixe de ficar na memória de estudantes como algo assustador e traumático e passe a ser vista como uma “habilidade essencial à vida”, afirma Dieckmann

Matemática para o século 21 e o ensino pós-pandemia

A aprendizagem de matemática deve atualizar-se e acompanhar as tendências da academia. “Estamos ensinando a matemática do século 19 nas nossas escolas, e isso cria uma lacuna na formação que damos aos jovens para o exercício de profissões e para munir as crianças com ferramentas para entender o mundo à nossa volta, que é o objetivo da matemática”, afirmou no encontro virtual Marcelo Viana. Essa ideia é compartida por Jo Boaler, professora de Educação da Universidade Stanford que afirma em artigo, que a matemática ensinada nas escolas dos EUA não mudou desde que o Sputnik foi colocado em órbita, no final da década de 1950.

Jack Dieckmann acredita que professores devem relacionar a matemática com temáticas relevantes para o século 21, como sustentabilidade e as mudanças climáticas usando a modelagem matemática para inserir os estudantes nesse universo. “Sabemos que há a necessidade disso, e temos que criar materiais e práticas que permitam aos estudantes interagir com o mundo e não serem tão passivos”, diz. Sem essa prática, gráficos e tendências não serão ferramentas para que os estudantes entendam seu próprio papel para mudar essa realidade.

A reportagem afirma que embora haja a percepção de que a pandemia vai mudar a dinâmica das escolas e o ensino da matemática, a forma como isso vai acontecer ainda é uma interrogação. Por isso, indaga como promover o ensino colaborativo da matemática, um dos principais conceitos do Programa Mentalidades Matemáticas, se os alunos forem obrigados a manter o distanciamento dentro de sala de aula.

Dieckmann responde que o colaborativo no pós-pandemia ainda é uma questão em aberto. Seus estudos apontam que a colaboração não precisa ser algo que ocorra ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Soluções tecnológicas podem permitir que estudantes distantes trabalhem em um mesmo exercício. Entretanto, as dificuldades causadas pela desigualdade social no Brasil devem ser consideradas.

A matéria termina com a uma análise de Dieckmann sobre os desafios da volta às aulas presenciais e necessidade de que os alunos se sintam seguros para vivenciar essa nova realidade. “No momento ainda não vemos luz no fim do túnel, mas temos uma oportunidade de olhar para o que pode ser melhorado e para criar um novo normal, em vez de voltar para o normal de antes, que não estava funcionando”, concluiu.

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