Webinar do Instituto Sidarta debate relação entre gênero e matemática

Sandra Unbehaum, da Fundação Carlos Chagas, Ana Camargo, do ISMART, e Claudia Siqueira, do Instituto Sidarta participam do evento na quarta-feira (24)

A desigualdade de gênero nas ciências exatas é uma realidade no Brasil e no mundo. Relatório ONU Mulheres, de 2017, aponta que 74% das mulheres se interessam pelas profissões relacionadas às ciências exatas, mas apenas 30% seguem a carreira acadêmica. Fernanda De Negri, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea, aponta no artigo “Mulheres na ciência no Brasil: ainda invisíveis?” que no Brasil as mulheres representam cerca de 54% dos estudantes de doutorado no país, mas são menos de 25% dos pesquisadores nas ciência da computação e matemática. Quais são as razões deste fenômeno? 

Como diminuir a desigualdade de gênero na matemática e oferecer educação equitativa? Para debater essas questões, será promovido o webinar “Matemática  e Gênero na mesma equação” em 24 de junho, às 17h, na página do Facebook do Programa Mentalidades Matemáticas. O encontro faz parte da série de webinários “E a matemática com isso?”, uma iniciativa do Instituto Sidarta com apoio do Itaú Social.

O debate virtual terá a participação de Sandra Unbehaum, coordenadora do Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas; Ana Camargo, gerente de Projetos do Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos), e Claudia Siqueira, diretora pedagógica do Instituto Sidarta. A mediação será da jornalista Sabine Righetti, coordenadora da Agência Bori e pesquisadora do Labjor-Unicamp. 

“Este webinar busca entender alguns fatos relevantes que nos permitam compreender as escolhas destas jovens e refletir sobre as ações necessárias para que revertermos este cenário e tornar esta área novamente atrativa para as mulheres. Uma coisa é certa: estudos afirmam que aumentar o número de mulheres em profissões nas áreas de exatas traz benefícios para as instituições e para o desenvolvimento econômico do país”, afirma Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta.

O Brasil tem grandes desafios no ensino de matemática – o país ficou em 70º lugar entre 79 países no último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Se os problemas afetam meninos e meninas em sala de aula, aspectos culturais da sociedade impedem maiores incentivos para que meninas estudem a matéria. Segundo estudos de Jo Boaler, professora da Universidade Stanford, há uma cadeia de mensagens negativas entre docentes e mães em relação à disciplina. Quando um professor repete o discurso de que a matemática é difícil, ou quando as próprias mães dizem que não eram boas de matemática na escola, como será o desempenho dessas crianças? Como eles influenciam negativamente as filhas?

Dados da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) – maior competição científica do país, com 20 milhões de alunos anualmente – refletem essa situação de forma evidente e ainda demonstram uma queda no desempenho das meninas conforme avançam nos anos escolares. As meninas são 50% dos participantes na OBMEP na primeira e na segunda fases. Mas representam apenas 25% dos medalhistas de ouro no Nível 1 (6º e 7º Anos), 23% no Nível 2 (8º e 9º Anos) e 13% no Nível 3. Como mudar esse panorama?

Doutora em Educação pela PUC-SP, Sandra Unbehaum falará sobre o contexto da desigualdade de gênero na matemática e contará as motivações para criar o seminário, além de apresentar dados e conclusões do evento, como a pesquisa “Elas nas Ciências: um estudo para a equidade de gênero no ensino médio”. Ela coordenou o seminário “Elas nas Exatas”, em março de 2018 no Rio de Janeiro, e discutiu a importância da promoção da equidade de gênero em políticas públicas de educação. 

Ana Camargo, pós-graduada na UNICAMP e na Tampere University of Applied Sciences, Finlândia, apresentará a atuação do Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos), entidade que desde 1999 identifica e concede bolsas de estudos a jovens de baixa renda em escolas particulares e acesso a programas de desenvolvimento e orientação profissional. Ela falará do trabalho do instituto na identificação de talentos, ações para equidade iniciadas em 2016 e a mentoria e orientação oferecida aos jovens no momento da escolha profissional.

A equidade no ensino, um dos pressupostos do Programa Mentalidades Matemáticas, será o tema principal da participação de Cláudia Siqueira. A abordagem defende romper com os estereótipos raciais, sociais e de gênero e oferecer um ensino de alto nível que desenvolva as potencialidades dos estudantes. Pós-graduada em Educação pela USP e PUC-SP, Cláudia mostrará também exemplos de práticas em sala de aula que visam estimular a autonomia e a criatividade dos alunos em uma comunidade de aprendizagem.

Por que poucas mulheres se dedicam profissionalmente às atividades relacionadas às ciências exatas? Como a escola pode enfrentar e promover a equidade de gênero? Participe dessa conversa, faça comentários e perguntas. Dia 24 de junho, às 17 horas, em nossa página do Facebook.

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